Crianças da vizinhança brincam com os animais do zoológico como  se fossem  domésticos
Crianças da vizinhança brincam com os animais do zoológico como se fossem domésticosFoto: Arthur de Souza

O Ministério Público de Pernambuco determinará a imediata destinação dos últimos 30 animais que ainda restam no zoológico Melo Verçosa, em Vitória de Santo Antão, na Mata Sul do Estado. Mesmo sem estar aberto ao público há cinco anos, a morosidade em realocar os bichos perdura. Se a gestão municipal não acatar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), uma Ação Civil Pública será impetrada.
Uma reunião entre o MPPE e a gestão municipal deverá ocorrer nos próximos dias.

A necrópsia de um urso que morou 13 anos no zoológico deve sair nos próximo dias e deverá mostrar que sofreu negligência. A promotora Mariana Lamenha, que assume interinamente o caso, disse aguardar o resultado, mas não precisa dele para afirmar que o local não tem condições para manter os bichos. “Os motivos que levaram à interdição administrativa foi exatamente a falta de condições de funcionamento. É um espaço antigo e não atende às atuais exigências legais. Apresenta risco para a integridade de quem entra lá, e não há manutenção adequada dos animais em cativeiro.”

Foi nesse local que o urso, de nome Bruno, morou quase metade da sua vida, abandonado por um circo em 2004. Tinha idade aproximada de 25 e passou 13 anos confinado numa jaula precária. Em janeiro deste ano, havia, em média, 59 animais.

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Desses, só foi possível transferir 26 bichos, entre aves e jabutis, ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), na Guabiraba, Zona Norte do Recife. Um dos locais que entra como uma das possibilidades para receber os bichos é o Parque Estadual Dois Irmãos, onde Bruno passou por cuidados médicos.

A ida deles ao espaço depende da disposição da prefeitura em fazer o levantamento das espécies para, a partir disso, a gestão do Parque elaborar um termo de cooperação com regras em relação aos animais que poderá receber. É esse documento que também definirá as competências de cada um - quem deverá arcar com os custos de transporte, os tipos de exame (de acordo com a espécie), medicamento e alimentação, por exemplo.

“O Ibama e CPRH nos procuraram a fim de saber da nossa disponibilidade. Mas, nem temos ainda essa listagem para saber o que é ave, mamífero, réptil, por exemplo. É importante para definirmos quais podem vir ao parque, pois estamos em obra. Isso implicará em reservar um espaço para deixá-los em quarentena, pois não é pegar os bichos e juntá-los aos do parque sem que passem por observação antes”, pondera a técnica científica do Dois Irmãos, Luciana Rameh. Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Vitória de Santo Antão não respondeu aos questionamentos em relação à transferência dos animais.

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