Restaurante Papaya Verde
Restaurante Papaya VerdeFoto: Reprodução/ Google Street View

Circulam nas redes sociais opiniões de apoio e também de boicote ao restaurante Papaya Verde, localizado no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife. Tudo começou quando o estabelecimento fixou adesivos produzidos pela Aliança Palestina do Recife (APR) na porta contendo as inscrições “Palestina Livre! Não é guerra, trata-se de genocídio! Boicotem Israel!”.

Muitas pessoas, por postagens no Facebook, se posicionaram sobre o assunto (veja imagens selecionadas). Algumas defenderam o posicionamento, referindo-se ao direito de expressão de um dos donos, que é de origem palestina. Outros acusaram o Papaya Verde de utilizar um "discurso de ódio".

O restaurante – referência em comida e atendimento de qualidade, diga-se, com várias avaliações positivas em sites segmentados – pertence a dois sócios: Antônio Siqueira Campos e João Asfora, que tem ascendência palestina. A APR publicou uma nota nas redes sociais manifestando seu “irrestrito apoio e solidariedade” ao estabelecimento e a João Asfora. “Do ponto de vista da gastronomia, o Papaya Verde é reconhecidamente um dos melhores restaurantes de Recife; e do ponto de vista da participação ativa na luta contra as injustiças, o Papaya Verde se tornou referência em nossa cidade”, declarou a APR em nota.

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Do outro lado, a Federação Israelita de Pernambuco (Fipe) se disse “perplexa” diante do material  exposto, que considerou “extremamente ofensivo em relação ao Estado de Israel”. “Consideramos fundamental que as graves questões que envolvem Israel e Palestinos sejam tratadas com responsabilidade, respeito e numa direção de busca da paz. Manifestações como esta exposta no restaurante, além de veicular falsos conceitos, contribuem para disseminar uma mensagem de ódio, abalar relações e reduzir o caminho do entendimento”, continuou a nota.

Por nota enviada ao Portal FolhaPE, Antônio Siqueira Campos escreveu:

"Venho manifestar meus sinceros pedidos de desculpas a todos que se sentiram ofendidos com o material exposto na entrada do nosso restaurante. O Papaya Verde possui 22 anos de história e é conhecido por estar sempre aberto a discussões, dando espaço para diversas bandeiras, sejam elas políticas ou sociais.

Foi exposto um cartaz expondo uma mensagem de manifestação pacífica, que agrediu membros e descendentes da comunidade judaica. Apesar da posição política de um dos sócios do restaurante e de seu absoluto direito a liberdade de expressão, o material exposto - que não teve intensão alguma em atacar ninguém - ofendeu a comunidade e foi retirado do espaço assim que as manifestações se iniciaram.

Não somos antissemita, e nossos clientes e amigos membros da comunidade sabem bem disso. Não pregamos o discurso do ódio, levantamos frequentemente as bandeiras da tolerância, da paz, dos animais, do amor.

No entanto, numa tentativa de defesa, estamos sendo atacados com calúnias em relação ao modo que conduzimos nosso restaurante, onde fazem falsos testemunhos de experiências. São postagens e avaliações inverídicas. É injusto com o estabelecimento e seus colaboradores.

Àqueles que se manifestaram livremente com dignidade, usufruindo do seu igual direito a liberdade de expressão, pedimos novamente desculpas, mas afirmo que calúnias não conseguirão apagar a história de todos que acordam cedo e trabalham muito desde 1995 para construir o Papaya Verde.

O ódio jamais será tempero da nossa comida, fazemos nosso trabalho com prazer e dedicação e vamos juntos seguir propagando o amor".

Em conversa na noite desta terça (10) com o Portal FolhaPE, Antônio Siqueira Campos confirmou que os adesivos foram retirados do restaurante e que a decisão de pedir desculpas foi feita em respeito aos muitos clientes judeus que frequentam a casa. "Eu acho que negócio é negócio", disse, em relação a expressar opiniões. "De forma alguma foi nossa intenção fomentar o ódio, mas também precisamos nos defender de inverdades que começaram a surgir no meio dessa problemática".

O Portal FolhaPE também recebeu nota de João Asfora, que escreveu:

"Em toda minha vida, jamais tratei mal qualquer cliente do restaurante seja ele muçulmano, judeu, umbandista, espírita ou evangélico. Sempre fui ativista das causas dos oprimidos e explorados e, em especial, da causa do povo palestino.

Os adesivos tidos como ofensivos expressam a minha luta pacífica pelos direitos deste povo que sofre todo tipo de violência de um regime abusivo de apartheid. Quanto ao uso da palavra genocídio nos adesivos, quem disser que não existe um genocídio nessas incursões israelenses na faixa de gaza é no mínimo cego ou mal intencionado.

Sim, sou palestino brasileiro! Tenho orgulho por minhas pátrias e não sou surdo ao sofrimento do meu povo. Não aceito o governo genocida israelense do mesmo jeito que não aceito o estúpido governo golpista do Brasil. E isso não me torna um criminoso! Quanto a ser chamado de anti-semita [sic] dou isto por ignorância já que o povo palestino como o povo hebreu são semitas, ou seja, tem a mesma origem! Perseguir palestinos e caluniá-los é anti-semitismo [sic]!

Somos dois sócios, no Restaurante Papaya Verde, e pensamos diferente. Esse é um exercício democrático de expressão. Não concordo com ele, nem ele comigo, mas respeito seu direito de pensar e nos consideramos e convivemos em harmonia. Dialogar é o caminho! Que isso possa servir de incentivo para todos que tem um discurso de ódio insuportável!

Tenho muitos amigos judeus, negros, árabes, africanos e asiáticos e os amo muito, mas não tenho amigos reacionários e odientos! O ódio e a raiva não me acompanham.

Eu não tenho medo. Eu acredito na nossa humanidade. E não abro mão ao meu direito a livre expressão!

Salam aleikum"

Movimento BDS
Sobre os adesivos postos na entrada do Papaya Verde, a APR explicou que é responsável pela elaboração e que o material convoca a sociedade para o Movimento BDS, que sugere o boicote “acadêmico, econômico, cultural e político ao Estado de Israel - e denuncia as condições de opressão em que vive o povo palestino”.

“São adesivos que retratam uma realidade extensivamente documentada pelas organizações de direitos humanos e uma campanha de boicote legítima e internacional. Denunciar as injustiças é, acima de tudo, se colocar ao lado das pessoas perseguidas, marginalizadas e exploradas pelo sistema opressor do mundo. É dar voz e vez aos que sofrem as dores da humanidade”.

Restaurante Papaya Verde
Restaurante Papaya VerdeFoto: Reprodução/ Google Street View
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociais
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociaisFoto: Reprodução/ Facebook
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociais
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociaisFoto: Reprodução/ Facebook
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociais
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociaisFoto: Reprodução/ Trip Advisor
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociais
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociaisFoto: Reprodução/ Facebook
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica e apoio nas redes sociais
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica e apoio nas redes sociaisFoto: Reprodução/ Facebook
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociais
Posicionamento do restaurante Papaya Verde causou polêmica nas redes sociaisFoto: Reprodução/ Facebook

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