Delegado Paulo Jean, responsável pelo caso
Delegado Paulo Jean, responsável pelo casoFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O advogado Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, de 46 anos, estava consciente logo após a colisão na Tamarineira, desbloqueou o celular e entregou para uma mulher avisar ao irmão dele. Essa mulher e o companheiro dela passaram de carro no cruzamento da Tamarineira logo após o choque dos carros. O casal e outra testemunha, o magistrado Gustavo Valença, de 41 anos, prestaram depoimento à Polícia na tarde desta terça-feira (28). O nome do casal não foi divulgado. Os três se apresentaram espontaneamente à Polícia.

Valença foi quem chamou o Samu e identificou que o condutor do outro carro, José Victor Ribeiro de Oliveira, de 25 anos, tinha sinais de embriaguez. O pai de José Victor também foi intimado a depor na próxima sexta-feira (1º). Um oficial de justiça já entregou a intimação na casa dele. A informação foi confirmada pelo delegado Paulo Jean, de Delitos de Trânsito, que está à frente das investigações. “Vou ouvir o pai dele e também saber dessas multas. Neste momento estão surgindo várias informações sobre conduta criminosa, mas nada foi confirmado ainda. Para a investigação em si isso é irrelevante, mas para o conjunto é importante sim”, afirmou.

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O crime passou a ser tratado como triplo homicídio doloso desde a segunda-feira (27), quando foi confirmada a morte do menino Miguel Guimarães Motta Silveira Neto, de 3 anos, e pode virar quádruplo dependendo do resultado da perícia no corpo da babá Roseane de Brito, de 23 anos, que estava grávida de três meses.

A polícia tenta verificar se João Victor, além de bebida alcoólica e remédio ansiolítico, pode ter ingerido alguma outra droga ilícita momentos antes de provocar o acidente. O Ford Fusion conduzido por ele avançou o sinal vermelho em alta velocidade e atingiu uma Toyota RAV4 onde estavam os advogados Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, de 46, e Maria Emília Guimarães, 39, com os dois filhos e a babá.

O investigador também irá levantar os antecedentes criminais e o histórico de multas de João Victor, que teria o hábito de dirigir em alta velocidade e avançar sinais fechados. O trajeto feito por João Victor antes do acidente também está sendo levantado pelo delegado. O objetivo é saber onde ele estava, com quem estava e o que estava fazendo. Também será feito um exame toxicológico no rapaz, que confessou ser usuário de drogas e dependente de remédios.

Entenda o caso
A combinação de bebida, imprudência e alta velocidade é apontada pela polícia como a causa do acidente que deixou uma criança e duas mulheres mortas, entre elas uma grávida, na noite do último domingo (26), na Zona Norte do Recife. A colisão ocorreu às 19h32 no cruzamento da rua Cônego Barata com o início da Estrada do Arraial, no bairro da Tamarineira.

O Ford Fusion, placa NMN 3336, que era conduzido por João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, trafegava em alta velocidade e ultrapassou um sinal vermelho, atingindo um Toyota RAV4, placa DEZ 9493, onde estava uma família. A mãe, Maria Emília Guimarães, de 39; e a babá Roseane Maria de Brito Souza, de 23, que estava grávida, morreram na hora. O filho do casal, Miguel Neto, que faria 4 anos no próximo mês, faleceu no hospital, durante cirurgia para conter uma hemorragia abdominal. Condutor do SUV da família, o pai, Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, de 45 anos, e a filha Marcela, de 5, continuam internados no Hospital Santa Joana.

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