João Victor Ribeiro de Oliveira tinha ingerido bebida alcoólica e foi autuado em flagrante
João Victor Ribeiro de Oliveira tinha ingerido bebida alcoólica e foi autuado em flagranteFoto: Reprodução/Facebook

Preso desde a última segunda-feira (27) no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, está “frio” e “calado” na detenção. Causador da tragédia ocorrida na noite do último domingo (26) - colisão de dois veículos no cruzamento da rua Cônego Barata com o início da Estrada do Arraial, na Tamarineira, Zona Norte do Recife -, ele matou três pessoas: uma advogada de 39 anos e o filho dela, que faria 4 no próximo mês, e a babá, de 23 anos, que estava grávida; deixou feridos o pai da família, de 46 anos, e a filha mais velha, de 5. A Polícia corre para cumprir os prazos para entrega do inquérito e não deixar que Victor seja posto em liberdade.

Desde que ele foi apontado como o causador da tragédia, o Recife se mobilizou a investigar sua vida. João Victor estava alcoolizado quando provocou a batida – a alcoolemia aferida pelo bafômetro chegou a 1.3 –, o que acirrou a revolta das pessoas. As informações que chegam à Imprensa, de amigos e pessoas que o conheciam, é que ele, tão jovem, já tinha cometido outros crimes, inclusive há contra ele um processo arquivado, já confirmado pela Polícia. Uma vizinha também denunciou, nas redes sociais, que foi agredida pelo rapaz há três meses.

O motorista da tragédia da Tamarineira, como o caso vem sendo chamado, é narrado como agressivo e consumidor contumaz de álcool e de outras drogas. Foi aluno do Colégio Santa Emília, em Olinda, cidade onde mora.

Em um áudio enviado à redação da Folha, uma mulher diz ser ex-professora do rapaz e que ele sempre foi agressivo e usuário de drogas, e que a família fazia de tudo para ajuda-lo. No áudio, ela diz que teve esperanças na melhoras depois de encontrá-lo “trabalhando no Procape (o Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco, ligado à UPE) como engenheiro”.

A reportagem tentou confirmar e foi informada que João Victor nunca teve qualquer vínculo com a instituição, mas que a empresa do pai dele, Bruno de Oliveira Gomes Leal, venceu uma licitação para limpeza da fachada e executou o serviço. “Ele às vezes ia e ficava sentado olhando o trabalho ser feito”, informou o Procape.

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Em seu perfil no Facebook, João Victor dizia ser estudante de Engenharia Civil da Faculdade Maurício de Nassau. À reportagem do Portal FolhaPE, o Grupo Ser, dono da instituição de ensino, negou a informação, disse que ele não cursou Engenharia em nenhuma das faculdades do grupo em Pernambuco ou em outros estados. Consta apenas que ele cursou Administração em duas das faculdades integrantes do conglomerado, mas que reprovou várias disciplinas e desistiu do curso.

No dia da colisão, Victor havia bebido e, segundo apurações, estaria seguindo para um bar quando causou a batida. Em sua conta no Instagram, postou nas ‘stories’ (imagens que duram 24 horas) uma foto que mostrava uma caixa amplificadora de som e a chave de um carro em uma mesa de bar (veja abaixo, na galeria). Após a batida, ainda dentro do carro, ele foi fotografado com uma pulseira que seria de uma festa open bar, aquelas cujo ingresso inclui consumo livre de bebidas. Como ele teve ferimentos leves, foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá. Logo depois, foi preso. Na segunda (27), o advogado que iria defender João Victor, Gerson Barros de Miranda, abandonou o caso. Agora, ele está sendo assistido por um defensor público.

Na tarde desta quarta (28), devido à repercussão nacional do caso e à comoção das pessoas, a Polícia Civil de Pernambuco decidiu seguir com as investigações em sigilo, até a conclusão do inquérito, que será remetido ao Ministério Público de Pernambuco na próxima quarta (6), que deverá oferecer, ou não, denúncia e solicitar à Justiça que ele seja julgado. Mas, agora, no tribunal popular e nas redes sociais, o tom é de condenação.

Entenda o caso
A combinação de bebida, imprudência e alta velocidade é apontada pela polícia como a causa do acidente que deixou uma criança e duas mulheres mortas, entre elas uma grávida, na noite do último domingo (26), na Zona Norte do Recife. A colisão ocorreu às 19h32 no cruzamento da rua Cônego Barata com o início da Estrada do Arraial, no bairro da Tamarineira.

O Ford Fusion, placa NMN 3336, que era conduzido por João Victor Ribeiro de Oliveira Leal, 25 anos, trafegava em alta velocidade e ultrapassou um sinal vermelho, atingindo um Toyota RAV4, placa DEZ 9493, onde estava uma família. A mãe, Maria Emília Guimarães, de 39; e a babá Roseane Maria de Brito Souza, de 23, que estava grávida, morreram na hora. O filho do casal, Miguel Neto, que faria 4 anos no próximo mês, faleceu no hospital, durante cirurgia para conter uma hemorragia abdominal. Condutor do SUV da família, o pai, Miguel Arruda da Motta Silveira Filho, de 45 anos, e a filha Marcela, de 5, continuam internados no Hospital Santa Joana.

João Victor Ribeiro de Oliveira tinha ingerido bebida alcoólica e foi autuado em flagrante
João Victor Ribeiro de Oliveira tinha ingerido bebida alcoólica e foi autuado em flagranteFoto: Reprodução/Facebook
No Instagram, no dia da colisão, João Victor postou foto que mostrava uma caixa amplificadora de som e a chave de um carro em uma mesa de bar
No Instagram, no dia da colisão, João Victor postou foto que mostrava uma caixa amplificadora de som e a chave de um carro em uma mesa de barFoto: Reprodução/ Instagram
João Victor foi encaminhado ao presídio
João Victor foi encaminhado ao presídioFoto: Divulgação
João Victor foi encaminhado ao presídio
João Victor foi encaminhado ao presídioFoto: Divulgação
João Victor Ribeiro de Oliveira, de 25 anos, tinha o triplo da quantidade de álcool permitida no sangue
João Victor Ribeiro de Oliveira, de 25 anos, tinha o triplo da quantidade de álcool permitida no sangueFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco
João Victor Ribeiro de Oliveira, de 25 anos, tinha o triplo da quantidade de álcool permitida no sangue
João Victor Ribeiro de Oliveira, de 25 anos, tinha o triplo da quantidade de álcool permitida no sangueFoto: Cortesia

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