Qualidade na educação, direitos e deveres dos estudantes, valorização dos professores e equipes gestoras. Essas foram algumas das diretrizes debatidas no encontro “O novo jogo da Base Nacional Comum Curricular e a prática nas escolas”, realizado em São Paulo, pela Mind Lab - empresa especializada em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias educacionais inovadoras. Membro do Conselho Nacional de Educação, o professor Cesar Callegari elencou pontos importantes da BNCC, que foi homologada pelo Ministério da Educação (MEC) em dezembro de 2017 e tem três anos para ser implantada nas escolas de ensino infantil e fundamental.

“O primeiro cuidado é que esse documento formal (de 460 páginas), que é uma norma nacional, não pode ser confundido com o currículo. A BNCC da Educação Básica não é algo que deve ser obedecida, mas ser considerada. São as escolas que tomarão as decisões sobre como programá-la, que estratégias e recursos devem ser mobilizados”, afirmou Callegari, que também é o presidente da Comissão de Elaboração da Base Nacional Comum Curricular.

Sobre as reformas e discussões no tocante à educação brasileira, Callegari ressaltou que o ensino médio foi retirado do processo de formulação da base nacional para ser uma discussão à parte. “O ensino médio, hoje, é fruto do que vem antes e ele está em crise no mundo inteiro. Cerca de 40% dos estudantes que deveriam concluir essa etapa da educação, não terminam os estudos. Não temos BNCC do Ensino Médio e não é possível ter aprovação daquilo que não existe. Precisamos fazer mudanças nele, organizar o debate e escutar da sociedade brasileira”, concluiu.\

Outro ponto colocado em discussão, no workshop que reuniu jornalistas, educadores e especialistas na área, foram as transformações constantes no modelo de educação do País. “A escola ainda é influenciada pelo modelo enciclopédico, aquele guiado pelo conceito. Os professores precisam trabalhar soluções e problemas por meio da competência e habilidade e isso é muito difícil”, ressaltou o professor Miguel Thompson, CEO do Instituto Singularidades.

“Hoje, temos um problema muito grande que é o de refazer o trabalho. Um pedreiro que não sabe trabalhar com métrica e acaba colocando a porta no lugar errado. Há uma série de fatores do mundo do trabalho que exigem conhecimentos técnicos e conceituais. E o mundo da produção capital está percebendo que vale a pena investir nessa competência técnica”, disse.

Esse cenário trazido por Thompson mostra a relevância de construir uma educação básica sólida. E há práticas que trazem resultados exitosos e que ajudam nessa construção, como a metodologia aplicada pelo Mind Lab em escolas públicas e privadas, por meio do programa MenteInovadora.

“Sou do time dos otimistas. Estamos vivendo um momento de ressignificação de valores tanto do jovem quanto dos professores. Nossos projetos estão alinhados com a BNCC, que abre a possibilidade do autoral, da autonomia na criação e clareza dos objetivos”, afirmou Sandra Garcia, diretora pedagógica da Mind Lab.

O MenteInovadora trabalha a integração de jogos de raciocínio lógico à grade de aulas, com a mediação de um professor capacitado pelo programa. Os jogos estimulam os alunos a experimentar, em um contexto controlado, situações da vida real através de métodos cognitivos que promovem a reflexão sobre atitudes e o poder das decisões. Isso faz com que a criança aprenda a lidar com o ganhar e perder; planejar estratégias e a interagir com as pessoas a sua volta.

Esse programa tem sido aplicado aos alunos da Educação Infantil, Fundamental I e II de 205 escolas da rede municipal do Recife. São atendidos 17.900 estudantes, com 890 professores mediadores capacitados. “Em Pernambuco, temos um alinhamento pedagógico excelente. Estivemos semana passada em Garanhuns com a equipe técnica pedagógica para a formação de 300 professores e 120 gestores. Trabalhamos com as práticas social e emocional”, comentou Sandra.

Aplicativo
No workshop promovido pela Mind Lab, em São Paulo, para falar dos rumos da educação no País, foi apresentada uma nova plataforma para estimular as competências socioemocionais e cognitivas dos estudantes. O jogo Mindzup, disponível em celular, tablet ou notebook, permitirá que os professores e gestores das escolas acompanhem o desempenho dos alunos em tempo real. No jogo, o aluno encontrará uma história na qual precisa resgatar o conhecimento perdido no planeta fictício Dion. As missões são diárias e o jogador precisa resolver avaliações de português, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e MenteInovadora, de acordo com o ano escolar em que ele está. Ao avançar na jornada, os alunos vão acumulando pontos. Os históricos do jogo ficam registrados e aqueles que têm um desempenho maior ganharão badges (distinções) virtuais por suas conquistas. Para os estudantes que estão no ensino médio, o Minzup permite a realização de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

(*) A repórter viajou a convite da Mind Lab

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