A Serra do Giz deverá ser uma das áreas protegidas de maior relevância para a biodiversidade do semiárido pernambucano
A Serra do Giz deverá ser uma das áreas protegidas de maior relevância para a biodiversidade do semiárido pernambucanoFoto: Cepan / Divulgação

Um dos mais importantes sítios arqueológicos da pré-história nordestina, a Serra do Giz, uma área de 310,2 hectares situada entre os municípios de Afogados da Ingazeira e Custódia, no Sertão do Pajeú, em Pernambuco, está prestes a se tornar uma Unidade de Conservação (UC). Na prática, ao dar proteções legais ao território, contribui-se para a conservação dos ricos exemplares de fauna e flora da Caatinga que lá existem, inclusive, de espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. O lugar também se torna diferenciado por ainda preservar dezenas de desenhos rupestres, tornando-se não apenas uma área de contemplação, mas de pesquisas e estudos científicos. Nestas terça e quarta-feiras, uma consulta pública será promovida pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) a fim de apresentar os próximos passos para a criação da UC. No primeiro dia, o encontro ocorrerá no Teatro José Fernandes de Andrade, em Carnaíba. No dia seguinte, será a vez de apresentar o projeto na Câmara de Vereadores de Afogados da Ingazeira.

Na avaliação do diretor-presidente do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), Severino Ribeiro, a Serra do Giz deverá ser, depois do Vale do Catimbau, uma das áreas protegidas de maior relevância para a biodiversidade do semiárido pernambucano. O Vale do Catimbau fica a menos de 300 quilômetros do Recife e é considerado o segundo maior parque arqueológico do Brasil. “Vale salientar que preservar mais de 310 hectares, é muito mais do que proteger a biodiversidade. É criar uma frente de combate aos avanços dos processos de desertificação na Caatinga, um dos ecossistemas mais ameaçados”, reforça. Os estudos técnicos e o levantamento das características ambientais da região, realizados pelo Cepan com financiamento do Governo de Pernambuco, revelaram que lá existem 116 espécies de animais, alguns em perigo de extinção como o gato do mato (Leopardus tigrinus). São 66 espécies vegetais, de nove diferentes famílias botânicas, demonstrando a alta diversidade da área. Entre elas, destaque para a aroeira do sertão (Myracrodruon urundeuva), que figura na lista de espécies ameaçadas. O levantamento, inclusive, sugere como Refúgio de Vida Silvestre (RVS) a categoria ideal para a Serra do Giz.

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De acordo com os Sistemas Nacional e Estadual de Unidades de Conservação da Natureza (Snuc e Seuc), essa classificação tem como objetivo “proteger os ambientes naturais onde se assegurem condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória”, e principalmente conservar as áreas de Caatinga, evitando-se assim a diminuição da diversidade dessa região. “O Governo de Pernambuco está dando continuidade à sua estratégia de conservação da biodiversidade nesta região tão vulnerável às mudanças climáticas que é o semiárido”, afirma o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Carlos André Cavalcanti. O lugar se chama Serra do Giz devido aos depósitos de arenito que ficam sob um banco de argila branca muito fina que os moradores locais chamam de giz.

A Serra do Giz deverá ser uma das áreas protegidas de maior relevância para a biodiversidade do semiárido pernambucano
A Serra do Giz deverá ser uma das áreas protegidas de maior relevância para a biodiversidade do semiárido pernambucanoFoto: Cepan / Divulgação
Lugar é diferenciado por ainda preservar desenhos rupestres
Lugar é diferenciado por ainda preservar desenhos rupestresFoto: Cepan / Divulgação

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