Especialista acredita que adiar a gestação por longo período complica as chances de a mulher engravidar naturalmente
Especialista acredita que adiar a gestação por longo período complica as chances de a mulher engravidar naturalmenteFoto: Arthur de Souza

Infertilidade. Um tema árido para muitos casais e que ganha visibilidade neste mês de junho, período dedicado mundialmente a discussões sobre o assunto. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem cerca de 50 milhões de pessoas no planeta nessa condição e há a estimativa de oito milhões de brasileiros inférteis. Para debater as projeções, desafios e saídas para a infertilidade, as clínicas Andros Recife, Geare e Amare, junto com os laboratórios Vidas e Donare, promovem, nesta sexta-feira (15) no Imip, um mutirão de fertilidade masculina para 50 homens previamente selecionados. Já a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) aporta no projeto Movimento da Fertilidade, no Parque de Santana, na Zona Norte da Capital, no sábado (16), das 8h às 11h.

A presidente da SBRA, Hitomi Nakagawa, destacou que a população em geral tem postergado muito as gestações, o que complica as chances de sucesso na tentativa de engravidar naturalmente. A regra de redução da fertilidade vale para ambos os sexos, mas acontece de forma mais dramática nas mulheres que têm um processo mais acelerado de falência na capacidade de gerar principalmente depois dos 30 ou 35 anos.

“A nossa população feminina entra na menopausa, em média, na casa dos 50 anos. O mito que existe na praça é que na hora que se entra na menopausa é o final da vida reprodutiva. Mas, na realidade, não é isso que acontece. Cinco anos antes dessa data já começa o encurtamento de ciclo, falhas de ciclo, irregularidade menstrual. Só que, dez anos antes, a grande maioria das mulheres está com dificuldade de engravidar. Dessa forma, 20 anos antes uma parcela significativa já tem redução da fertilidade”, comentou a especialista.

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Hitomi Nakagawa ainda explicou que, a depender da situação do casal, nem mesmo a reprodução assistida pode assegurar a gestação e, por isso, os casais devem estar atentos aos “prazos” do próprio corpo. A médica chama atenção também para os impactos financeiros que o tema tem para todas as classes sociais, principalmente para aqueles de poder aquisitivo menor. “Nossa população, a maioria, não tem perfil que consegue arcar com os custos de uma reprodução assistida. E só há 12 centros públicos no País”, explicou. Os valores para os procedimentos na rede particular giram em torno de R$ 20 mil.

Se no universo feminino a preocupação principal sobre infertilidade e fertilidade está no adiamento gestacional, entre os homens o alerta é sobre mitos culturais, sobre virilidade e a irrelevância de acompanhamento médico da área reprodutiva. “Ao contrário da mulher, que desde cedo busca o médico e faz exames, o homem tem aquela cultura de achar que não precisa do médico. A partir disso, acaba se perdendo a chance de diagnosticar a maior parte das causas de infertilidade masculina, que já surgem durante a puberdade, como por exemplo, a varicocele”, exemplificou o urologista Filipe Tenório.

A doença, que consiste no aparecimento de varizes nos testículos, pode ser diagnosticada perto dos 12 ou 13 anos de idade e operada, evitando tentativas frustradas de gerar filhos. O médico faz parte do grupo de especialistas que ajudaram na confecção do hotsite www.fertilidadeintegral.com.br, que traz um e-book gratuito sobre fertilidade e um quiz de avaliação da hora de o homem, mulher ou casal buscar ajuda médica para engravidar. O material foi lançado este mês. 

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