Do alto, imagens de drone mostram a dimensão da agressão contra a mata nativa
Do alto, imagens de drone mostram a dimensão da agressão contra a mata nativaFoto: Arthur de Souza

Mais de 100 hectares de áreas de floresta nativa da Mata do Zumbi (cada hectare corresponde a dimensão de um campo de futebol), situada no Cabo de Santo Agostinho, às margens da PE-28, foram devastados para dar lugar a construções e loteamentos irregulares. A Folha de Pernambuco sobrevoou a área com um drone para ter uma ideia do nível de desmatamento, que tem sido constantemente invadido e vários lotes já foram cercados por estacas e fios de borracha.

Por lá, é possível ver amontoados de toras com o cerne alaranjado, indicando corte recente. O solo preto pelas chamas também indica a agressividade ambiental causada ao território. Além de fazer divisa com a Unidade de Conservação Parque Estadual Mata do Zumbi, protegida legalmente pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), a área desmatada também é amparada pela Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428). Quando uma área verde tem o respaldo legal da Lei da Mata Atlântica, a supressão só é autorizada para fins de obras públicas e de interesse social, desde que licenciadas.

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O diretor-presidente da CPRH, Eduardo Elvino, alegou a dificuldade que tem sido coibir as frequentes invasões na Mata do Zumbi. E a velocidade com a qual a área de floresta tem sido suprimida desde 2015, fez a prefeitura do município acionar a Justiça, com reintegração de posse. “Inclusive, temos um sério problema de grilagem nesse fragmento. Pessoas influentes têm mandado lotear para vender a área de terra demarcada como posse. Já emitimos vários autos de infração para quem trabalhava no momento, mas tem sido difícil chegar aos autores”, afirma.

As fiscalizações da CPRH são feitas em conjunto com fiscais de Controle Urbano e Meio Ambiente do município, Companhia de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma) e Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (Depoma), com respaldo do Ministério Público estadual. Segundo Elvino, nos últimos três anos, quando as invasões têm se intensificado na região, mais de 15 operações conjuntas foram realizadas, sendo a última no dia 23, a qual resultou na derrubada de casas de alvenaria.

A casa de Alexsandra da Silva, 28 anos, foi uma delas. Grávida de quatro meses, foi com o dinheiro que ela conseguiu juntar das taxas de 10% pagas pelos clientes da praia, que ela comprou os materiais para construir sua primeira moradia. “Vi 150 tijolos que havia comprado virem abaixo, minhas ferramentas sendo levadas pelo caminhão (da CPRH). Um investimento de R$ 3 mil indo embora em segundos”, contou.

Maria José da Conceição, 56, viveu o mesmo drama. Assim como os demais, ela sabe que a construção na área é ilegal, mas reforçou que ninguém ocupa porque quer. “O que mais dói é que esse pessoal (da fiscalização) trata a gente em tom de ameaça, são brutos com a gente, saem derrubando e levando tudo. Não param para pensar que cada tijolo desse é suado”, lamentou, mostrando as notas dos materiais de construção que havia comprado, a exemplo de telha brasilit, cimento e tijolos, junto às prestações que ainda falta pagar.

Aquecimento global

Ao mesmo tempo que essas ocupações irregulares são efeito direto da falta de alternativa para populações mais pobres, carentes de políticas habitacionais adequadas, a perda de florestas, como a que ocorreu na Mata do Zumbi, é uma das principais causas do aquecimento global. Além de representar a redução da área florestada, cada árvore derrubada para ter sua madeira utilizada em outros fins, significa mais gás carbônico lançado na atmosfera.

Do alto, imagens de drone mostram a dimensão da agressão contra a mata nativa
Do alto, imagens de drone mostram a dimensão da agressão contra a mata nativaFoto: Arthur de Souza
Por terra, é possível ver amontoados de toras  com o cerne alaranjado, indicando corte  recente
Por terra, é possível ver amontoados de toras com o cerne alaranjado, indicando corte recenteFoto: Arthur de Souza
Folha registrou o que restou de ocupações  que já foram retiradas do espaço
Folha registrou o que restou de ocupações que já foram retiradas do espaçoFoto: Arthur de Souza

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