A casa de Alceu Valença foi liberada para funcionar no formato camarote durante as prévias
A casa de Alceu Valença foi liberada para funcionar no formato camarote durante as préviasFoto: KLEYVSON SANTOS

Estão longe de um fim as polêmicas em torno da camarotização do Carnaval de Olinda. Nesta terça-feira (12), às 11h, uma audiência discutirá sobre o tema na Câmara de Vereadores da cidade. Já nesta quarta-feira (13) será a vez da Sociedade Olindense de Defesa da Cidade Alta (Sodeca) retomar o debate sobre os camarotes na sua reunião semanal.

As casas camarotes e os espaços de day use (onde o folião paga para passar o dia) também estão no alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF) e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Iphan). A preocupação geral é quanto à sobrecarga que tais eventos podem trazer para o Sítio Histórico, onde dezenas de construções são tombadas, e o descumprimento da lei do Carnaval, que veta tais empreendimentos na folia.

Entre moradores do Sítio Histórico há coro generalizado contra as casas camarotes, que estão proibidas desde 2015. Também estão em xeque estruturas que se vendem como day use, mas que configuram camarotes, sejam pelo porte ou shows com bandas. “Não podemos dar brechas para isso ou acabam como Carnaval de Olinda. Se liberar para um, outros farão igual. Tem muita gente ai fora da lei. O Carnaval da gente é o de rua e não de camarotes”, lamentou o morador Djair Melo, 54 anos.

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Na mesma rua dele está situado o espaço Casa Olinda Estação da Luiz, mais conhecido como casarão de Alceu Valença, e que está aberto neste período pré-carnaval para o projeto Olinda Tropicana com ensaios musicais nos quatro domingos que antecedem a folia oficial.

O espaço, motivo de reclamação de alguns moradores, foi defendido pelo o secretário de Patrimônio, Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico, João Luiz. “A proibição da lei é para os dias (oficiais) de Carnaval. Durante esse período que antecede, o que estão acontecendo são eventos que a gente está fazendo alguns testes para ver se conseguimos viabilizar aquele imóvel para transformá-lo em um equipamento turístico e cultural permanente, mas isso com o acompanhamento do conselho de preservação e de vários outros órgãos”, justificou.

Outra denúncia da comunidade é sobre a instalação de casas camarotes e day uses informais. A família de Ismael Lima, 39, deixou de alugar a casa da rua do Bonfim depois que percebeu nos últimos anos que inquilinos transformavam a residência uma espécie de camarote. “O pessoal diz que só vão dez ou 12 pessoas para a casa. Só que depois colocam um bar e vendem pulseiras para quem quiser entrar, ficar, usar o banheiro. E ninguém fiscaliza isso. Por isso, preferimos nos resguardar. Olinda só vai aprender quando acontecer uma desgraça”, comentou.

Sobre essa informalidade, o secretário João Luiz explicou que há dificuldade dos órgãos competentes que, muitas vezes, só conseguem perceber essa informalidade em cima da hora. O gestor reforçou que está sendo finalizada uma varredura em todos os imóveis do Sítio Histórico que podem ser utilizados para apoio do folião. A listagem foi solicitada pelo Iphan. “Vamos fazer o que a lei prevê”, disse.

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