Casamento
CasamentoFoto: Pixabay

Para muitas pessoas, o casamento é um dos momentos mais importantes da vida e, por isso, requer um planejamento cuidadoso. No entanto, o que deveria ser um dia de celebração resultou em dor de cabeça para, pelo menos, dez casais da Região Metropolitana do Recife. Isso porque após contratarem a cobertura fotográfica da união, se viram envolvidos em um possível golpe de estelionato, no qual um fotógrafo recebia o pagamento pelo serviço e não o prestava.

A advogada Juliana Heleno, 33 anos, está entre as pessoas lesadas. Após conhecer o trabalho do profissional em uma feira de noivas em 2016, ela fechou um contrato de registro do evento, um ensaio pré-nupcial e o álbum contendo as fotografias devidamente tratadas. Não foi o que aconteceu. Uma semana antes do casamento, o fotógrafo entrou em contato informando que seu equipamento teria sido roubado e solicitou o restante do pagamento dos R$ 2.800 orçados para comprar outro material.

No ano seguinte, foi a vez da empresária Rafaella Barretto, 36, “cair no conto do vigário”. Por meio das redes sociais, ela chegou até o profissional e solicitou um orçamento. “Ele foi extremamente atencioso e cobrou um preço legal. Antes do casamento, ele pediu que adiantássemos o restante, pois o filho estaria muito doente. [Na ligação], ele até chorou”, recorda. Ao todo, Rafaella pagou R$ 1.500 pelo serviço e emprestou R$ 1 mil em solidariedade. Um dia antes do casamento, ele ligou informando que havia sido roubado.

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Também em 2017, uma publicitária de 34 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, também ficou no prejuízo. Com o serviço orçado em R$ 5 mil, ela fechou um pacote com quase dois anos de antecedência. “Sei que fotógrafos de casamento têm uma agenda apertada. Por isso, foi a primeira coisa que acertei no planejamento”, explica. O pagamento completo foi efetuado em seis meses. Foi quando surgiram os rumores de que ele não estaria honrando seus contratos.

“Fui acompanhando a trajetória dele e, quando começaram a surgir os comentários, entrei em contato. Ele admitiu, mas disse que estaria resolvendo. Dois meses antes do casamento, durante o ensaio, apresentamos a possibilidade de um distrato contratual e ele disse para não nos preocuparmos”, conta. Na semana do enlance, o fotógrafo entrou em contato, dessa vez informando que não poderia comparecer. Do que foi contratado, só entregou os arquivos digitais do ensaio pré-nupcial.

Todas as vítimas ouvidas tentaram negociar com o suspeito a restituição dos valores pagos, em virtude da não prestação do serviço. Sem sucesso, diversos boletins de ocorrência foram registrados na Delegacia de Casa Amarela, dos quais foi condenado em sete deles a indenizar os contratantes. Segundo consta nas sentenças, ele não compareceu às audiências de instrução e julgamento de nenhum dos casos. Os valores também não foram pagos.

Agora, diante do inquérito policial, a denúncia foi apresentada à Justiça pelo Ministério Público de Pernambuco. No sistema do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o homem é citado em dois processos. Se condenado, ele poderá cumprir de um a cinco anos de reclusão pelo crime de estelionato. A pena é somada por cada caso. A reportagem entrou em contato com o fotógrafo, mas até o fechamento da edição não teve sucesso.

“Já não acredito na restituição de qualquer valor. Nossa intenção é de que ele responda criminalmente pelos prejuízos que ele tem causado a diversas noivas. Com o processo criminal, esperamos que ele ao menos compareça para a audiência”, destacou Elkson Miranda, advogado de duas vítimas e um dos contratantes lesados pelo profissional. “Espero que com o processo ele pare de enganar as noivas, que pague [criminalmente] pelo que fez e que possa ressarcir minimamente o que a gente pagou para que possamos fazer nossos álbuns”, concluiu Juliana Heleno.

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