Analisa Sobreira, gestora do Departamento de Polícia da Mulher e a delegada Bruna Falcão, responsável pelo caso
Analisa Sobreira, gestora do Departamento de Polícia da Mulher e a delegada Bruna Falcão, responsável pelo casoFoto: Caio Danyalgil / Folha de Pernambuco

Em coletiva de imprensa nesta terça (9), a delegada da Mulher do Recife, Bruna Falcão, deu mais detalhes sobre o caso do homem que atacou a ex-companheira com soda cáustica no rosto. A delegada detalhou o depoimento dado por William César dos Santos Júnior, 27, à polícia após se entregar na última segunda-feira (8).

O ex-companheiro de Mayara Araújo, 19, disse que sua intenção era "dar um susto" na vítima. Ele também afirmou estar arrependido e decidiu se entregar por sofrer ameaças. "Ele [William] se disse extremamente arrependido e alegou que o principal motivo era o pouco acesso que tinha ao filho", afirmou a delegada. "Mas isso tudo é desmentido por várias testemunhas. Inclusive, a mãe dele que o acesso à criança era franqueado por Mayara sempre”, acrescentou.



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O crime ocorreu na noite de 4 de julho, no bairro de Nova Descoberta, Zona Norte do Recife. Desde estão, a jovem está internada na UTI do Hospital da Restauração e segue em estado grave. Inicialmente, a unidade de saúde informou que a substância que atingiu a vítima era soda cáustica, mas polícia encontrou no local do crime uma garrafa com um rótulo de “ácido sulfúrico”. O material foi encaminhado para análise da perícia. A assessoria de imprensa do hospital informou que, independentemente da substância utilizada, isso não interfere no tratamento. Mayara teve 38% do corpo queimado.

A decisão de cometer o crime teria sido tomada depois de um desentendimento entre Mayara e a atual esposa dele, no dia 1º de julho. “William disse que comprou o produto para desentupir uma encanação em casa e, quando percebeu que a substância queimava a pele, o que é pouco crível porque ele era agente de saúde, decidiu dar esse ‘susto’”, relatou Bruna Falcão.

Ainda durante o depoimento, William negou que tenha participado da execução do crime. "Ele disse que deu a garrafa com o ácido sulfúrico a Paulo [Henrique Vieira dos Santos, 23], mas fugiu porque não quis nem ver ele jogando a substância nela", informou a investigadora.

A versão contradiz o depoimento de Paulo Henrique, que disse ter apenas segurado Mayara enquanto o outro agressor jogava a substância nela. A delegada afirmou que vai ouvir mais uma testemunha para esclarecer quem teria feito a ação.

Durante o tempo em que ficou foragido, William disse ter ido primeiro a Itamaracá e ficou vagando pela Praia do Pilar. Ele falou ainda que, ao não conseguir uma vaga em alguma pousada, voltou a Recife já na madrugada de sexta-feira (5), após o crime. Até o momento de se entregar, teria mudado de local várias vezes.

Ainda não está definido por que tipo de crime William César e Paulo Henrique vão responder. De acordo com a delegada Bruna Falcão, vai depender do quanto a saúde da vítima foi prejudicada. “Por enquanto, a gente tem materializado nos autos que eles praticaram lesão corporal grave. Dada a evolução do caso de Mayara, se houver novas consequências, isso pode ser mudado para lesão corporal gravíssima. E a gente ainda está fazendo diligências para saber a real intenção de William e, se a gente materializar nos autos que os dois queriam tirar a vida dela, respondem por tentativa de feminicídio”, afirmou. William César também vai responder por descumprimento de medida protetiva.

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