Carlos Monteiro e Jaílson Silva
Carlos Monteiro e Jaílson SilvaFoto: Acervo Pessoal/Acervo Pessoal

Como já era esperado, Ricardo Vélez foi demitido do cargo de ministro da Educação, na última segunda-feira. A pasta já tem sucessor, o professor Abraham Weintraub. Economista, formado pela Universidade de São Paulo (USP), em 1994, e mestre em finanças pela Fundação Getúlio Vargas, o novo ministro trabalha atualmente como professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e atua como secretário executivo da Casa Civil.

A escolha de um economista para a pasta, uma das mais importantes do governo e responsável pela política educacional que norteia o trabalho das 184 mil escolas existentes no Brasil, gerou burburinho entre representantes do setor, mas especialistas enxergam com bons olhos a mudança. “Vejo de forma positiva a entrada deste novo ministro. É um grande preconceito achar que um financista não pode ser gestor da Educação. Até porque a grande crítica ao ministro anterior era o fato de que ele entendia pouco de gestão. O atual é um economista, administrador, um financista”, avalia Jailson Silva, professor universitário e especialista em Administração em Educação.

Silva defende que, para assumir as rédeas de uma pasta tão estratégica, o novo ministro da educação não precisa ser necessariamente um educador. “Seu grande desafio será interpretar os objetivos do Governo Federal, transformar em ação organizacional, com planejamento, organização, direção e controle”, sinaliza, lembrando que Weintraub vai também precisar mostrar grande habilidade como conciliador e até mediador de conflitos. “O clima político e acadêmico não é amistoso. Para isso, ele vai ter que trabalhar nas competências básicas de gestão para conseguir – usando a expressão dele – colocar a bola no chão e tocar para a frente. Sem uma equipe, cada um joga a bola para um lado e o país não avança”.

Bola para a frente na educação
A expectativa do setor educacional é mesmo grande. Em menos de cem dias no governo, Vélez demitiu 92 pessoas do alto escalão do Ministério da Educação (MEC), sem contar os 20% dos servidores que pediram demissão. As decisões e declarações polêmicas do ex-ministro só demonstravam o pouco tato político para a função que assumiu. Cargos importantes, como o comando do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ficaram vagos. “Como líder, Vélez não conseguiu pacificar as diferentes correntes, o que gerou uma paralisia no MEC. A saída dele vai permitir que o órgão comece a se desenvolver”, declara otimista o professor Carlos Monteiro, fundador e diretor presidente da CM Consultoria, especializada na área educacional.

Um dia depois da posse, o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou na tarde desta quarta-feira, 10, seis novos secretários. Para a Secretaria Executiva, o nome escolhido foi de Antônio Paulo Vogel de Medeiros. Como secretário executivo adjunto, assume Rodrigo Cota. O novo titular da Secretaria de Educação Superior será Arnaldo Barbosa de Lima Junior, e da Secretaria de Educação Básica, Janio Carlos Endo Macedo. Para a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, foi escolhido Silvio José Cecchi. A Secretaria da Educação Profissional e Tecnológica será comandada por Ariosto Antunes Culau.

Como o novo comando da pasta, o setor de educação privada espera “que o MEC dê condição para as instituições trabalharem e se desenvolverem, evite ao máximo enxurrada de leis, portarias e decretos comuns a todo governo”, sinaliza Carlos Monteiro. Maior agilidade nos processos de andamento dos pedidos das instituições, quanto à criação e aos reconhecimentos de cursos, é outro ponto citado pelo especialista. “Que os processos sejam mais rápidos e menos burocráticos na sua tramitação”.

Outra questão de grande relevância é o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), um dos principais programas do Ministério da Educação. Dados do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) apontam que cerca de 1.300 entidades que têm alunos beneficiados pelo FIES ainda não receberam repasse de recursos neste ano. A estimativa é de R$ 3 bilhões em atraso, em todo o país.

A equação deveria fortalecer o programa, já que a instituição de ensino precisa da matrícula dos alunos da nova classe média e, os estudantes, do financiamento. “Mas o que a gente está vendo é uma queda acelerada de matrículas. Muitas instituições, principalmente as de menor porte, estão em uma situação financeira difícil”, acrescenta Monteiro. A esperança do setor é que, sendo da área da economia, o novo ministro possa entender melhor essa conta. “Como ele vem da Casa Civil, a expectativa é que tenha bom trânsito para conseguir as aberturas necessárias para que o FIES volte a funcionar”, conclui.

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