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ProvaFoto: iStock, Getty Images

A instituição de uma comissão responsável por decidir as questões que entrarão ou não no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tem repercutido entre os especialistas em Educação. O Governo Federal tem defendido que não caberia à prova abordar temas considerados “ideológicos”.

No entanto, educadores ressaltam a importância de não descaracterizar o formato atual elaborado através de uma matriz de referência com base nos parâmetros curriculares. “Todo esse processo do Enem tem sido construído nessa direção e as escolas, privadas e públicas, formam seus alunos nesse sentido. Não só para as provas, mas para a cidadania”, afirmou o presidente da Comissão Permanente de Concursos Acadêmicos da Universidade de Pernambuco (UPE), professor Ernani Martins.

 A UPE utiliza o Sistema Seriado, dividido em três anos, como forma de ingresso e também ofertas vagas por meio do Sisu (este ano foram 7.40 vagas para os cursos de graduação) que utiliza a nota do Enem.

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“É importante ressaltar que as provas do Enem não cobram viés ideológico, mas passam por temas pertinentes à sociedade em determinados momentos, como a violência contra a mulher, as questões de gênero, como a sociedade se constitui. A ideologia sempre vai existir de um lado ou de outro, as pessoas têm posicionamentos, mas nenhuma questão do Enem ou de outro certame vai cobrar um viés ideológico”, explica Ernani.

O grupo, criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC) será composto pelo secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Marco Antônio Barro, pelo diretor de Estudos Educacionais do Inep, Antonio Maurício das Neves, e por Gilberto Callado de Oliveira, representante da sociedade civil.

Professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialista em História e História da Educação, Adriana Maria Paulo da Silva, chama atenção para as justificativas que devem ser apresentadas para a exclusão de determinados do banco de dados do exame.

Já que após essa avaliação, caberá ao diretor de Avaliação da Educação Básica, Paulo Cesar, emitir um parecer para cada um dos itens, para que ao final desse processo, o presidente do Inep Marcus Vinícius Rodrigues determine o que será colocado na prova. “Se você tira a reflexão e a crítica sobre as mazelas sociais que nos assolam no horizonte dos estudantes, o que sobrar? A decoreba e a repetição de dogmas. A escola deve ser o lugar da dúvida, da crítica livre e protegida e não de repetição de dogmas de qualquer tipo”, declarou Adriana.

De acordo com o presidente do Inep, a segurança em relação a um suposto vazamento dos conteúdos das questões está garantida e, pelo caráter sigiloso do Banco Nacional de Itens, não será publicado relatório de trabalho sobre esse processo. Tampouco os membros da comissão estão autorizados a se pronunciar sobre o trabalho. Este ano, o Enem será aplicado nos dias 3 e 10 de novembro. As inscrições estarão abertas de 6 a 17 de maio. Entre 1º e 10 de abril, os estudantes poderão pedir isenção da taxa de inscrição. Nesse mesmo período, o Inep vai receber as justificativas dos que faltaram às provas em 2018.

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