Estudantes participaram da Olimpíada Nacional de História do Brasil
Estudantes participaram da Olimpíada Nacional de História do BrasilFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Mais do que o conhecimento específico sobre datas e fatos históricos, o senso crítico e a disposição para pesquisar, estabelecendo relações com o presente, constituíram a fórmula de sucesso que fez 45 estudantes pernambucanos se destacarem na 11ª Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB).

Na competição, organizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, 15 equipes de cinco instituições de Pernambuco, sendo duas públicas e três privadas, trouxeram medalhas de ouro, prata e bronze. Foi o segundo melhor desempenho no país e no Nordeste, que levou 77% do total de premiações.

Pernambuco ficou atrás apenas do Rio Grande do Norte, que obteve 20 medalhas. Em terceiro, veio o Ceará, com 14, e em quarto, com 12, o estado de São Paulo, o mais bem colocado fora da região. Entre as três equipes pernambucanas que ganharam o ouro, está o trio HerStory, formado por Ana Laura Barboza, 17, Vitória Ferreira, 15, e Alice Bahia, 15, do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O nome do grupo, que em inglês significa algo como “A história dela”, resgata o protagonismo feminino nos acontecimentos históricos, remetendo ao tema da Olimpíada deste ano, “Os excluídos da História”.

“São pessoas que tiveram papéis importantes, mas que por diversos fatores não foram valorizadas. São mulheres, negros, indígenas, operários, LGBTs”, enumera Vitória. Para Ana Laura, o mais interessante foi que as provas faziam o aluno desempenhar trabalhos de um historiador, apresentando diretamente documentos históricos. “Teve uma tarefa em que a gente teve que pegar uma carta antiga e decifrar o que estava nela. A gente tinha que ir bem a fundo na história”, conta. Além da HerStory, outros dois grupos da instituição pública foram premiados com a medalha de bronze. Ao todo, 18 alunos do colégio foram finalistas.

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Para chegar à final, realizada no fim de semana em Campinas, foi preciso passar por uma maratona de cinco fases online. A etapa presencial consistiu em uma dissertação sobre “Violência, exclusão e banalidade do mal”. O professor Diego Carvalho, que orientou os estudantes nesse processo, diz que o tema é um resumo do que foi abordado ao longo da competição. “Se você pegar os textos deles, você vê uma maturidade imensa em pessoas com 15, 16, 17 anos. E isso é o que me deixa muito alegre”, afirma.

Sem verba disponível na universidade, que pode suspender as atividades no próximo mês após bloqueios do governo federal, os alunos foram a Campinas por conta própria. “A gente fez rifa, professores doaram e a associação dos pais também se juntou”, revela Diego Carvalho. Apesar de todos os percalços, o clima é de comemoração. “A gente acompanhou na transmissão online, ficou vibrando, passou toda a confiança”, lembra o auditor de Tecnologia da Informação (TI) Geovani Vasconcelos, pai de um dos alunos que levaram a medalha de bronze.

A competição
Realizada pela Unicamp, a Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB) teve este ano cerca de 73 mil inscritos. Em Pernambuco, 15 equipes de cinco instituições foram premiadas, três delas com a medalha de ouro. A Escola de Aplicação da Universidade de Pernambuco (UPE) foi a que levou mais prêmios: três de prata e três de bronze (veja na arte). Também conquistaram medalhas alunos dos colégios Equipe, Núcleo e Boa Viagem.

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