Mudanças no ensino médio
Mudanças no ensino médioFoto: Bruno Campos / arquivo Folha

O novo ensino médio no Brasil será construído a partir de mudanças estruturais na forma como o aluno se relaciona com a escola e com os conteúdos dentro de sala de aula. Uma das novidades é a ampliação progressiva da carga horária atual, que ficará mais robusta, passando de 800 para 1,4 mil horas anuais. O aumento da oferta do ensino integral também é outro trunfo do novo modelo, que será modernizado a partir do que propõe a Lei Federal 13.415, sancionada pelo presidente Michel Temer em fevereiro deste ano com base na reforma indicada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2016.

Por meio do Programa de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, a atual gestão do MEC mais que dobrará a oferta de vagas nesse modelo no País, nacionalizando uma iniciativa que vem dando certo em Pernambuco após ter sido implantada de forma pioneira em 2003, no governo de Jarbas Vasconcelos e de Mendonça Filho, atual ministro da Educação. Para se ter ideia da mudança planejada para o Brasil, em meados de 2016, o total de vagas era de 308 mil, mas, por meio de uma portaria do ministério, chegará a 831 mil até o fim do ciclo 2017-2020.

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No caso da carga horária, a lei estabelece que, em cinco anos, no mínimo, todo o ensino médio passe das atuais 800 para 1.000 horas anuais. A política de escolas em tempo integral prevê uma carga horário de 1,4 mil horas/ano. Vale lembrar que os alunos poderão focar, ainda na escola, nos conteúdos mais exigidos nos cursos de graduação em que pretendem ingressar, ou seja, além de passarem mais horas estudando, aproveitarão melhor o tempo dentro da sala de aula com disciplinas voltadas aos caminhos que pretendem seguir no mercado de trabalho. O modelo é mais conectado aos anseios de quem está se formando.

“É interessante porque acaba com essa pressão que a gente sofre desde pequenos de ter que decorar a tabela periódica, saber coisas do mundo acadêmico, estudar todas as disciplinas para o vestibular e, quando termina o ensino médio, não saber nem 90% das coisas que estudou”, avalia a estudante Maria Clara Gama, do 2º ano. “Acho que, no ensino fundamental, você tem que saber todas as matérias, ter uma base sobre tudo, mas, no ensino médio, você pode, sim, ter algo mais direcionado àquilo que mais lhe interessa. Gosto de História, Geografia, mas quero fazer Medicina e gostaria de focar mais em Química, Biologia, que são específicas da área de saúde. Acho que é preciso direcionar”, complementa.

Secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares avalia que, no modelo em que era praticado há décadas, o ensino médio gerava desigualdades. As mudanças que estão sendo desenhadas, segundo ele, farão com que a educação brasileira leve em conta as particularidades do estudante e do lugar onde ele está situado. “Temos um ensino médio que é igual para todos, tenta ser igual gerando muita desigualdade, no fim das contas. Virou um preparatório para vestibular e para o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], o que não é o sentido do ensino médio. E ele não olha para o que Pernambuco precisa, do que o Recife precisa. Você tem a Região Norte, a Sul, regiões diferentes, juventudes diferentes, anseios diferentes. A escola e o processo educacional precisam estar conectados a isso, e a reforma traz essa possibilidade”, explica.

Ouça entrevista com o ministro da Educação Mendonça Filho:

Ensino técnico
Além da ampliação da carga horária, da flexibilidade da grade e da nacionalização das escolas em tempo integral, outro ganho da reforma será a integração entre os ensinos médio e técnico. Esse modelo já existe em algumas escolas, mas com acúmulo de carga horária, o que sobrecarrega o aluno. “São instituições que têm o ensino integrado, mas que trabalham todas as disciplinas da área propedêutica, como História, Geografia, Matemática, além do conteúdo do ensino técnico. Então, fica uma carga de conteúdos muito elevada para os alunos. Já com a reforma, os estudantes terão uma noção básica de todas as disciplinas, com Português e Matemática em todos os três anos do ensino médio, mas poderão se aprofundar, conciliando a formação técnica e saindo mais preparados para o mercado”, detalha a secretária de Ensino Técnico do MEC, Eline Nascimento

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