No espaço de convivência, crianças fazem parte de recreação
No espaço de convivência, crianças fazem parte de recreaçãoFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Creche ainda não é uma política universal no Brasil. De acordo com a Pesquisa Primeiríssima Infância: creche 2017, da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Ibope, um terço das crianças brasileiras de 0 a 3 anos, de baixa renda, não tem acesso a essas instituições.

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Até julho deste ano, esse contexto era uma realidade para 22 crianças do Conjunto Habitacional Padre Miguel, no bairro de Afogados, na Zona Oeste do Recife. Elas foram as primeiras a receber as ações do Pertencer - Espaço de Convivência, projeto da Secretaria de Habitação do Recife em parceria com a Secretaria de Educação, que visa integrar políticas de garantia da primeira infância com a qualificação de mulheres de habitacionais e Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) da capital pernambucana.


O projeto foi lançado pelo programa Chegando Junto, criado pela Prefeitura do Recife. No espaço de convivência no habitacional de Afogados, crianças de 06 meses a 6 anos ficam sob a tutela de cuidadoras do próprio condomínio. “Eles ficam literalmente dentro de casa. Eles saem dos apartamentos e ficam no espaço de convivência, das 8h às 16h. Eles cantam, dançam, pintam e fazem arte. Tudo isso é um estímulo para desenvolver uma fase tão importante, que é a da primeira infância. Nesse período, eles ainda fazem três refeições: café da manhã, almoço e lanche da tarde”, explica a secretária municipal de habitação, Isabella de Roldão. Além da área de aprendizado e recreação, há um trailer em que as refeições são preparadas.


Um dos pilares do programa é a capacitação das mulheres, classe social que dedica mais horas semanais a afazeres domésticos, como aponta números do IBGE. Segundo Isabella de Roldão, o objetivo é reintegrar essas mulheres ao mercado de trabalho. “Dentro do projeto essa proposta para que essas mulheres voltem a ter uma vida profissional. Então nossas colaboradoras voltam a estudar dentro do Educação de Jovens e Adultos (EJA) profissionalizante pela prefeitura, em que fazem junto a um curso de brinquedista”, afirma a secretária.


As alunas do EJA Profissionalizante atuam como estagiárias, participando dos cuidados com as crianças no espaço de convivência. No habitacional São Miguel, são oito mulheres que participam. Uma delas é a dona de casa e cabeleireira, Tássia Ingrid, de 27 anos. “Essa oportunidade apareceu quando eu comecei a estudar no EJA. Esse espaço aqui não existia, era meio deteriorado. Eu fico na parte da tarde, cuidando das crianças. Agora eu penso em fazer pedagogia. Antes eu só tinha trabalhado como cabeleireira. Eu tenho um bebê 1 ano e 7 meses e ficava em casa, como dona do lar”, relata Tássia.


Janiele Francisca, 26, também é uma das estagiárias que atuam no Pertencer. Mãe de três filhos, não trabalhava porque não tinha com quem deixar a prole. “Eu gosto muito daqui. Antes eu não tinha com quem deixar meus filhos. Dois ficam aqui no espaço e a mais velha, de 7 anos, fica lá na creche. Também voltei a estudar e faço o curso de brinquedista. Eu amo cuidar de crianças e está sendo uma boa oportunidade para as mães daqui”, diz Janiele.



ILAB Primeira Infância

O projeto é um dos dez finalistas do ILab Primeira Infância, do Núcleo Ciência pela Infância  (NCPI). O programa tem o objetivo de incentivar a cocriação, qualificação e implementação de projetos inovadores para o desenvolvimento da primeira infância (do nascimento até os 6 anos) no País. 500 projetos foram inscritos, e os finalistas receberão um aporte financeiro de até R$ 150 mil. Com o sucesso do piloto em Afogado, a secretaria vai expandir para o Habitacional Travessa de Gusmão, no Centro, e na comunidade Caranguejo Tabaiares, na Zona Oeste.


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