Essa agressão ocorreu no bairro de Ma On Shan, cerca de 20 quilômetros ao norte do distrito financeiro central
Essa agressão ocorreu no bairro de Ma On Shan, cerca de 20 quilômetros ao norte do distrito financeiro centralFoto: Philip Fong / AFP

Um policial foi ferido na perna por uma flecha neste domingo (17) durante confronto com manifestantes na universidade de Hong Kong. Esta foi a semana mais violenta no território desde o início dos protestos, em junho.

As imagens divulgadas pela polícia mostram que o agente foi atingido na panturrilha enquanto participava de operação na região da Universidade Politécnica (PolyU), que se tornou um dos principais palcos de manifestações, devido a sua localização estratégica.

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As forças de segurança usaram jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que ocupavam o campus da PolyU.

A crise entrou em uma nova fase esta semana, mais radical, com adoção pelos manifestantes da estratégia batizada como "Blossom Everywhere" (Florescer em toda parte), que consiste em multiplicar os bloqueios e atos, de maneira simultânea, com o objetivo de testar a capacidade da polícia e asfixiar Hong Kong economicamente.

A tática é efetiva. Após cinco meses de protestos, o território semiautônomo entrou em recessão pela primeira vez em 10 anos.

Em comparação com o mesmo trimestre de 2018, o PIB local recuou 2,9%, maior queda registrada na década.

O que de início foram manifestações contra um projeto de lei específico –que possibilitaria a extradição de cidadãos honcongueses ao continente para julgamento –se tornou um movimento mais amplo, que assumiu um forte caráter anti-China.

O manifestante segura o que parece ser um escudo improvisado. ele está cercado por fumaça de gás, que se tornou azul devido às luzes dos carros da polícia. Os manifestantes da ex-colônia britânica reivindicam autonomia política e jurídica em relação à Pequim. Entre suas exigências atuais estão a renúncia da líder local, Carrie Lam, o sufrágio universal e eleições diretas para o Poder Executivo de Hong Kong.

Os protestos dividem a população do território. Neste domingo, apoiadores de Carrie Lam, favoráveis a uma maior aproximação com a China, se reuniram para tentar desbloquear o túnel de Cross Harbour, próximo a PolyU.

O túnel é estratégico por ser um dos três que permite acesso à ilha de Hong Kong e está fechado desde terça-feira (12) por barricadas.

Pouco depois, no entanto, manifestantes pró-democracia reconstruíram as barreiras.

Segundo a imprensa local, os moradores que tentaram desbloquear a via foram alvo de tijolos e entraram em confronto com os manifestantes. A polícia dispersou a multidão utilizando gás lacrimogêneo.

No sábado (16), soldados do Exército Popular de Libertação (EPL) da China saíram do quartel no território para ajudar na limpeza de escombros.

Em Hong Kong, a aparição do exército chinês é excepcional, dando ao fato um caráter simbólico que levanta novas questões sobre a autonomia do território, demanda central dos manifestantes.

O governo de Hong Kong afirmou que o Executivo local não solicitou a ajuda das tropas chinesas e que a saída dos quartéis foi uma "iniciativa própria" e voluntária.

A imprensa estatal já advertiu que o Exército Popular de Libertação (EPL) da China se reserva a possibilidade de intervir para acabar com a mobilização em Hong Kong.

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