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Graham Tidey

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Maria da Penha
Maria da PenhaFoto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

Determinada. Insistente. Batalhadora. Faltariam adjetivos para descrever essa mulher que se tornou um símbolo da luta pelos direitos femininos. Maria da Penha, hoje com 73 anos, contou lembranças, histórias e descreveu momentos marcantes que lhe ensinaram lições valorosas de vida. A ativista também é fundadora do Instituto Maria da Penha, uma ONG que luta contra a violência doméstica e contra as mulheres.

Era 1983, o princípio de tudo. Apesar de já haver demonstrado comportamento agressivo, seu marido na época não poupou malevolência. Um disparo de arma de fogo foi o que alavancou uma luta de anos em busca de justiça. Por conta desse e outros abusos, Maria ficou paraplégica. Seu marido, o agressor, foi responsabilizado somente mais de uma década após suas atitudes, que marcou o fim de uma longa empreitada jurídica.

De início, o marido responsável pelo disparo, alegava uma tentativa de assalto. Sem ter certeza absoluta da autoria de seu esposo, Penha tomou conhecimento através de pessoas que trabalhavam em sua casa, que o viram com a arma e deixaram claro para ela quem era o responsável pelas barbáries. Mãe afetiva de 3 filhas, Maria detalhou a tensão e o sofrimento passado no hospital após o ataque: “será que as minhas filhas tão chorando a uma hora dessa, tão sendo maltratadas?”. Para contornar a situação, e estando vulnerável ao mesmo tempo, contou com a ajuda de sua família para conseguir um documento que pudesse sair de casa com as filhas sem que isso fosse considerado abandono de lar. Após ter conseguido deixar sua casa, foi para a casa de seu pai aonde teve o: “sono mais perfeito que eu tive depois de toda essa confusão, de todo esse mal estar, de toda essa coisa” descreveu. A liberdade de poder dormir uma noite tranquila foi uma sensação única depois de tantas noites de insônia com temor que seu marido a agredisse.

Os hematomas e feridas internas causados são irreparáveis. Todavia, Penha tem uma virtude perseverante que a fortalece quando o desânimo bate em sua porta. O processo de adaptação a cadeira de rodas envolvendo toda questão da mobilidade foi um longo passo. Foram diversas cirurgias, consultas e restaurações necessárias em sua jornada. Maria contou qual ensinamento que teve a partir desse processo: “A ser mais paciente e a ser mais criativa. Eu peço muito pouco aos outros hoje”. Penha falou um pouco da escrita do seu livro e dos hábitos que tinha de escrever doloridas memórias: “Por exemplo, antes de eu escrever tinha partes que eu não queria relembrar, que eram muito doloridas pra mim. Então eu escrevia aquilo pra nunca mais eu pensar. Que estava ali registrado.” relata Maria. Certamente foi preciso muita coragem e força para relembrar tantos experiências negativas, isso só releva a grandeza de Maria da Penha por contar suas histórias e influenciar o público feminino para evitar que mais casos como esse ocorram.

Ainda que existam mais rigorosidades nas leis contra a violência a mulher, muitas ainda se sentem hesitantes denunciando, Maria da Penha adverte: “Toda mulher tem medo de denunciar, isso é normal e toda vítima da violência, ela muitas vezes não denuncia não só pela questão financeira, que ela depende financeiramente do marido, mas ela não denuncia porque no momento em que esse homem faz uma agressão, pouco tempo depois ele pede perdão, diz que aquilo não vai mais acontecer e na realidade acontece outra vez”. É necessário ter respeito mútuo em qualquer relacionamento, de nada adianta ficar presa em um calabouço em casa sendo submetida a violência. Mulheres precisam ter essa consciência, o sofrimento só acaba quando atitudes são tomadas. A coragem que Maria teve enfrentando seu agressor por meios legais é a prova disso. Na época, a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos criticou a postura das autoridades brasileiras sobre o caso alegando negligência na investigação, o governo foi obrigado a sancionar leis mais severas para crimes de violência doméstica.

São por meio dessas lições que podemos entender a importância na luta pelos direitos e liberdade das mulheres na sociedade atual. O feminismo presente atualmente revela uma significante melhora nessa questão, embora ainda existam muitos discernimentos. Maria da Penha é um exemplo de mulher que sofreu muito, mas teve muita energia, fé e esperança de conseguir aquilo que almejava: Justiça. Com sua história inspirou e continuará inspirando novas gerações como um exemplo de perseverança e superação.

Esperamos que esse artigo tenha motivado o leitor, para conhecer mais do programa In Conversation veja abaixo:

O programa “In Conversation” é para pessoas como eu que encontram inspiração aprendendo com os comportamentos, mentalidades e experiências de pessoas bem-sucedidas.

Leia mais sobre In Conversation aqui: https://medium.com/@inconversation/sobre-in-conversation-9c8a325ee3da

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* Graham Tidey, que atua no consulado britânico do Recife há pelo menos três anos e está no Recife desde 2012. Com formação em música, até chegar ao consulado, Graham Tidey trilhou caminhos diversos. De estoquista de supermercado a empreendedor, até ser nomeado cônsul em 2015, uma trajetória encarada com proatividade e ensinamentos que lhe deram ferramentas para assumir a função de representante do Reino Unido no Nordeste. No Estado, Graham firma parcerias nas áreas de pesquisa, investimento em empresas, turismo e desenvolvimento de projetos.

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