In Conversation

Graham Tidey

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Modelo Monalysa Alcântara
Modelo Monalysa AlcântaraFoto: AFP

A beleza brasileira não passa sem ser reconhecida em todas as partes do mundo. Seja pelo sorriso ou por traços curvais são algumas das características que definem a identidade tupiniquim. Dessa vez no In Conversation a convidada é um registro de tudo isso: Monalysa Alcântara, que já foi Miss Brasil, já esteve entre as TOP 10 no Miss Universo e é uma das pessoas que possuem uma história incrível de dedicação e vontade de conseguir as coisas.

Monalysa começou sua carreira de modelo na adolescência. Participou de concursos Miss Teen até chegar ao Miss Universo que é considerado um dos mais renomados concursos de beleza. Embora tenha sido muito bem sucedida, sua batalha na vida não foi nada fácil. Ao longo desse artigo Monalysa relembra detalhes que foram fundamentais em sua vida e que reiteram sua virtude e determinação.

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Aos 5 anos, Monalysa perdeu seu pai em um acidente de carro. A modelo tinha uma ligação forte com ele e isso foi um choque grande. A partir de então, muitas coisas aconteceram em sua vida. A perda do pai criou maiores dificuldades para o sustento da casa e então ela e a mãe tiveram que morar na casa da avó. Ainda assim, Monalysa recorda os momentos que teve com gratidão.

"Claro que a falta do meu pai fez uma diferença muito grande na minha vida, mas ele deixou um legado de um cara íntegro, responsável, trabalhador. Então essa imagem que ele deixou pra mim foi essencial na minha educação e na forma como eu lidava com a vida e com as coisas, sabe? Então eu tive uma infância muito boa depois assim porque eu curti muito, brincava muito", lembra.

"A minha avó foi uma grande mãe pra mim. Eu fui morar na casa dela, uma casa onde ela acolhia todo mundo. A casa da minha vó era muito badalada, tinha muita gente, muitos netos. Era uma infância um pouco 'apertada' - ou melhor, muito apertada. Eu morava em uma casa, ficava num quarto onde tinha seis pessoas, a gente dormia em três, quatro na cama, a minha tia em cima de mim, a minha prima na rede. Quando a gente saía era engraçado”, recorda.

A avó teve um papel muito importante para Monalysa, pois muitos dos valores que foram transmitidos a ela passaram ensinamentos e valores a modelo primordiais. Não ter vergonha de suas origens, fazer de tudo para as coisas darem certo e valorizar aquilo que tem são princípios determinantes para o desenvolvimento de qualquer pessoa.

"Querendo ou não, na casa da minha avó eu aprendi muitas coisas essências, sabe? A forma como minha avó encarava as coisas e me criava me ajudou muito em tudo que eu passei durante o Miss. Porque, por exemplo, eu ia pra escola - já estava estudando em colégio público porque minha mãe teve que me tirar do colégio particular -, e aí eu ia pra escola e às vezes chovia e a minha avó sempre dava um jeito de me fazer ir pra escola, sempre dava um jeito de ir. Ela não tinha vergonha de nada, ela me fazia não ter vergonha de nada, nem do que eu era, nem de onde eu estava vindo. Aí depois, na quinta série, eu fui pra um colégio particular e eu me lembro que eu não queria faltar aula, de jeito nenhum, porque eu batalhei muito para que a minha mãe pudesse pagar, para que ela pudesse me colocar no colégio particular e dos três irmãos, meu irmão não estava mais estudando porque ele é bem mais velho do que eu e eu tenho uma irmã mais nova, ela ainda estava em colégio público, então eu tive a oportunidade né, ela me deu, foi pra mim que ela me deu essa primeira oportunidade, e aí eu não queria faltar. E não tinha dinheiro pra ir de ônibus, porque era pertinho e não tinha o porque de ir de ônibus né, então eu ia a pé e aí chovia muito. Eu me lembro que minha vó colocou uma sacola em volta do meu sapato, colocou uma sacola em volta do outro sapato, pegou meus livros, botou sacolas neles também. Então assim, a minha avó ela sempre de uma certa forma, ela sempre me encorajou sabe? As dificuldades apareciam e ela dizia: 'Você vai, você vai que é isso! E eu eu que não tinha nada? Sua mãe que era bem pior ainda. Isso aqui não é nada, você vai...'. E ela sempre me encorajou, então essas pequenas coisas que na hora a gente nem percebe foram o que me fizeram ser essa pessoa assim determinada", conta Monalysa.

A modelo também destaca como o preconceito ainda é presente na sociedade atual e que em certos casos é deixado de lado ou despercebido pelas pessoas. Lutar contra a discriminação sempre foi um dos hábitos da modelo, que destaca: "Eu sou uma pessoa que sempre falei sobre preconceito, sobre racismo, sempre quis saber sobre isso. Na escola, eu sempre debatia com o professor em relação a política, em relação a tudo, porque eu sempre fui muito inquieta. E as pessoas nunca me ouviram, nunca ouviram a minha opinião, a minha família nunca ouviu minha opinião sobre preconceito. Eu sempre falei que existe sim preconceito. Na época que eu, por exemplo, assumi meu cabelo crespo, eu era a única da escola. Eu virei motivo de chacota. Todo mundo quer alisar, todo mundo quer fazer prancha e eu fiz o quê? Soltei meu cabelo, botei um volume enorme. E na época existiam poucas blogueiras na internet, e foi algo que foi essencial na minha vida. Graças a Deus eu acho que sempre pensei um pouco diferente de algumas mídias. Tive acesso a algumas mídias também que fariam totalmente ao contrário daquela tradicional que me fizeram falar: 'Não, tá errado, eu preciso fazer alguma coisa...'", comenta.

Com base nessa história de vida, Monalysa Alcântara deixa uma mensagem muito profunda para todas as pessoas que estão em busca de seus sonhos e que se esforçam, correndo atrás de oportunidades, dando duro na vida, batalhando e buscando todos os dias a felicidade. "A gente tem que pensar mais na gente e acreditar mais na gente, sabe? Tudo na minha vida essa é a prova. Eu acreditei enquanto ninguém acreditava, todo mundo não só não acreditava como me 'zoava'. Por isso eu 'dei uma de doida', como diz o ditado, eu acho que é isso, você dar uma de doido e seguir, ser firme, ter fé. Em tudo na sua vida você precisa ter fé no que você tá fazendo, e eu sempre tive muito isso, muita fé, eu acreditava imensamente, sonhava com os resultados disso. E eu acho que foi isso que me fez chegar aqui, eu acho que você ter confiança, fé, perseverança é o que faz as coisas mudarem. Em tudo, em tudo na sua vida. Caia, vá de cabeça mesmo, não se doe pela metade, só se doe totalmente. Isso é um pensamento assim que eu levo, levo pra minha vida", conclui.

O programa “In Conversation” é para pessoas como eu que encontram inspiração aprendendo com os comportamentos, mentalidades e experiências de pessoas bem-sucedidas.

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