Joabson diz que os principais obstáculos são buracos nas calçadas e ruas da cidade
Joabson diz que os principais obstáculos são buracos nas calçadas e ruas da cidadeFoto: Rafael Furtado

Pedestres que não enxergam ou possuem algum grau de perda visual relatam dificuldades em trafegar em avenidas e ruas do Recife. Mesmo com o uso da bengala, alguns acabam se machucando e contam que, diante da falta de acessibilidade, precisam da ajuda de outras pessoas para se locomoverem.

O músico Joabson do Nascimento, 23, tem glaucoma congênita em ambos os olhos desde a infância. Ele contou que os buracos nas ruas e calçadas são os seus principais obstáculos ao trafegar nas ruas do Recife. “Falta acessibilidade para pessoas com necessidades especiais. Como já nasci sem enxergar e sou bastante autônomo, tenho noção dos locais onde tenho que desviar, mas muitos precisam da ajuda de outras pessoas para andar e atravessar as ruas.” 

O locutor e pedagogo Domingos Sávio, 49, que tem retinose pigmentar e perdeu a visão total dos dois olhos aos 12 anos também sente muitas dificuldades em andar pela cidade. Ele aponta a falta de empatia da população e a de estrutura da cidade como algumas das principais barreiras na locomoção. “A falta de organização dos comércios, por exemplo, afeta no trafego seguro. Falta identificação em braile e iniciativas inclusivas”, disse. Domingos está há um ano a frente do programa Resgatando a Cidadania, da Rádio Folha FM 96,7, que busca justamente provocar o poder público, instituições e sociedade em geral sobre a inclusão. “Levamos pessoas com necessidades especiais e gestores públicos para debaterem a acessibilidade para todos”.

Assim como Joabson e Domingos Sávio, no Recife, muitos são os deficientes visuais que sofrem dificuldades diárias e contam com o apoio do , que completou recentemente 110 anos e tem como missão levar a autonomia aos portadores da deficiência. O espaço é mantido atualmente pela Santa Casa de Misericórdia e é o primeiro no Nordeste dedicado a necessidade de pessoas com algum grau de perda visual. O estudante Allison Lucas Soares, 16, é um deles. Ele perdeu a visão total do olho direito há dois anos e enxerga atualmente com dificuldades pelo olho esquerdo devido a uma distrofia de retina e miopia desenvolvida desde a infância. No dia a dia, ele relatou que sente muitas dificuldades ao trafegar nas ruas mesmo diante da autonomia que possui ao se descolar sozinho pela cidade.

Allison contou que buscou o Instituto em 2016, após perder a visão, para desenvolver melhor os sentidos e aprender a se deslocar com a bengala. No local, ele frequenta também aulas de braile, música e goalball, que é uma modalidade do futsal adaptado para pessoas com algum grau de perda visual. “Esse lugar é a minha segunda casa”, disse. Atualmente, o espaço atende 180 pessoas “preparando-as para a vida”, destaca a professora de práticas educativas, Vitória Marinho Damasceno. Em comemoração dos 110 anos, o arcebispo de Olinda e Recife dom Fernando Saborido, realizará no próximo dia 20, às 11h30, uma missa no auditório do Instituto

Entramos em contato com a Prefeitura do Recife (PCR) que por meio da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife (Semoc) informou que trabalha constantemente para a melhoria das calçadas da cidade e que desde 2013, notifica passeios irregulares, que estejam em discordância com as normas técnicas atuais. A Semoc alerta que a manutenção das calçadas deve ser realizada pelo proprietário do imóvel, que deve mantê-la livre e de acordo com as normas de acessibilidade.

A nota enviada pela PCR informou também que a Emlurb e a URB vêm realizando diversas intervenções de recuperação de passeios públicos em importantes corredores viários e no entorno de equipamentos públicos sob responsabilidade da administração municipal e que já requalificou quilômetros de calçadas.

A prefeitura disse ainda que a pavimentação dos passeios que possuem rampas de acessibilidade é executada em materiais antiderrapantes, com pisos podo táteis, sinalizadores e direcionais. 

A Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informou que tem investido na acessibilidade por meio de sinais sonoros nos semáforos da cidade. Ainda segundo a autarquia, dos 670 semáforos do Recife, 67 deles possuem sinais sonoros com o objetivo de tornar segura a travessia das pessoas com deficiência.

A CTTU disse ainda que os estudos que determinam os pontos contemplados levam em consideração as solicitações das associações e entidades que assistem os deficientes visuais, como o Instituto de Cegos do Recife, por exemplo.

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