Metrô do Recife
Metrô do RecifeFoto: Arthur Mota / Folha de Pernambuco

No primeiro dia útil com a nova tarifa do metrô, os passageiros demonstraram insatisfação em relação ao reajuste e à qualidade do serviço. Desde o último domingo (9), a tarifa passou a custar R$ 3. O aumento do preço faz parte de uma série de reajustes e deve chegar a R$ 4 em março de 2020.

De acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o aumento na tarifa não representa um maior orçamento destinado ao metrô. A Companhia afirma que a arrecadação é repassada diretamente ao Governo Federal, que define a quantia a ser destinada ao metrô através da Lei Orçamentária Anual (LOA), votada pelo congresso anualmente.

O superintendente da CBTU, Leonardo Villar, afirmou que, apesar dos ajustes na tarifa, o metrô do recife é o mais barato do Brasil. “Nosso usuário paga, em média, um valor entre R$ 1,20 e R$ 1,30. Isso porque cerca de 56% dos passageiros do metrô não pagam nada; são aqueles que vêm do ônibus e fazem integração, por exemplo”. A explicação do superintendente, entretanto, leva em consideração apenas o valor médio arrecadado pela companhia.

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Em relação à estrutura do metrô, Villar destacou melhorias nos acessos pelas escadas rolantes, elevadores e refrigeração. “Já conseguimos melhorias nesses sentidos, temos boa parte das escadas rolantes e elevadores em funcionamento e em relação ao ar condicionado. Mas essas melhorias não estão sendo conseguidas em função do aumento”, afirmou.

Os usuários, no entanto, contradizem a versão dos representantes da CBTU. A usuária Eliane Vieira, que utiliza o serviço diariamente, apontou que problemas estruturais como a falta de ar condicionado ainda são recorrentes. “Eles [a CBTU] falam que consertaram as escadas e alguns elevadores, mas isso é obrigação, a gente paga uma passagem cara e eles insistem em comparar o metrô do Recife aos de outras cidades, mas a realidade da gente é diferente”, disse Eliane.

A auxiliar de serviços gerais, Sandra Márcia, afirmou que sempre enfrenta problemas com o metrô. “Os trens estão quebrando sempre, estão sempre muito quentes e superlotados e, ultimamente, estão bem sujos”, disse Sandra. “Se os ajustes representassem melhorias, seriam justos, mas as coisas continuam péssimas”.

Entre as reclamações mais recorrentes, está a superlotação. O costureiro Alexandre Gomes queixou-se do desconforto nas viagens, diariamente realizadas por ele. "Saí da estação Jaboatão e a situação por lá estava difícil, muito lotado, sem conforto algum. Todos os dias a gente convive com isso e o usuário continua sofrendo e não tem perspectiva de melhora", expôs Alexandre.

A CBTU afirmou que há um déficit de R$ 250 milhões nas contas da companhia. Para 2019, estava prevista a concessão de R$ 98 milhões, valor considerado baixo pela Companhia; entretanto, devido à contingenciamentos realizado por parte do Governo Federal, somente R$ 54 milhões foram liberados no início do ano, o que, de acordo com a CBTU, garantia o funcionamento até o mês de junho. De acordo com Villar, o restante do orçamento está sendo concedido de forma fracionada, em parcelas mensais de R$ 8 milhões.

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