Com média de 8,7 pontos, a estrutura da praça da República foi considerada a melhor do Recife, em conforto e segurança
Com média de 8,7 pontos, a estrutura da praça da República foi considerada a melhor do Recife, em conforto e segurançaFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Conforto, estrutura e segurança. Esses foram alguns dos critérios avaliados pela Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo) que culminaram na composição do Índice de Desenvolvimento Cicloviário (Ideciclo), lançado nessa quinta-feira (27) no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), no bairro do Derby, região central da capital pernambucana. A pesquisa, cuja edição anterior tinha em 2016, avaliou a ciclomobilidade de toda a Região Metropolitana do Recife (RMR). Apesar de o Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana do Recife, criado em 2013 ainda ser uma promessa, o coordenador da Ameciclo, Daniel Valença, afirmou que foram percebidas mudanças positivas em relação ao Ideciclo anterior.

 “Verificamos que houve melhoria significativa nas novas estruturas em comparação com as antigas, com nota de segurança 29% melhor. Há, porém, uma piora nas estruturas antigas, devido à falta de manutenção e de ajustes necessários para melhorá-las, tendo havido uma piora de 8% nestas. Na nota geral, houve um aumento, porém ainda aquém do que pode ser feito se fosse implantado o Plano Diretor Cicloviário”, frisou Valença.

No mapeamento feito pelo grupo foram elencados as 10 melhores estruturas na Capital. Quatro delas estão entre o eixo Recife-Olinda. A estrutura da praça da República, no bairro de Santo Antônio recebeu uma média de 8,7 - sendo 8,3 em nível de segurança e 9,0 com relação ao conforto. A rua Senador Alberto Pasqualini, localizada no bairro da Estância, vem logo em seguida com média 8,6 - em segurança, a via recebeu 8,2 e 9,6 de conforto. A Via Mangue, que tem um trecho de 3,9 km aparecia liderando o ranking no Ideciclo de 2016, mas caiu para sexto lugar, com 8,4 em termos de segurança, 7,5 em conforto e uma média total de 8,0.

A pesquisa tem como resultados dois produtos. O primeiro é a avaliação da estrutura cicloviária das cidades, composta pelas ciclofaixas, ciclovias e ciclorrotas, no sentido de averiguar os componentes de segurança e conforto para o ciclista, a partir de pontos como sinalização, pintura, condição do asfalto, arborização etc. O segundo produto é uma nota geral dada à cidade como um todo, levando em consideração a cobertura da malha cicloviária em relação à malha total. “Nós levamos em consideração principalmente, se a estrutura está colocada nas vias mais rápidas. A estrutura cicloviária tem que visar à proteção do ciclista e não adianta fazer isso nas vias que são devagar, eles tem que se protegidos nos espaços de maior velocidade também.”, explica Daniel.

Leia também:
Desafio propõe novos modais para os recifenses
Plano Diretor do Recife: o desafio de integrar infraestrutura e mobilidade

Entre as 10 piores estruturas listadas, a avenida Inácio Monteiro, no Cordeiro, traz resultados preocupantes para quem pedala por esse trecho. O nível de segurança é de 3,7 e o de conforto é de 8,4 resultando em uma média de 4,9. A Estrada do Encanamento vem em seguida, com 4,7 em termos de segurança e 5,9 em conforto, totalizando a média de 4,8. Esse ranking mostra que essas vias que figuram os primeiros lugares são as mais antigas da cidade e não recebem manutenção adequada. No geral, na comparação entre os municípios, a pesquisa mostra Olinda, por exemplo, está à frente do Recife no Ideciclo. Isso porque a cidade tem uma malha cicloviária maior, localizada nas arteriais. Com índice 0,131 enquanto o de Recife está a 0,079. Isso não quer dizer que a estrutura de Olinda é melhor que a da Capital. Ao contrário, o que contou neste caso é a cobertura dessa área.

Durante a divulgação, também foi lançado o Concurso de Ideias Urbanísticas, que selecionará projetos que tragam soluções para as 10 piores estruturas, principalmente em situação de risco. Entre as áreas propostas estão avenida Brasília Formosa, estrada Forte do Arraial, avenida Consul Joseph Noujaim e avenida Beira Rio. A premiação varia de R$ 200 a R$ 500 e os candidatos terão até o final de outubro para entregar o projeto. As soluções serão encaminhadas juntamente com o Índice para as prefeituras municipais.

 

veja também

comentários

comece o dia bem informado: