Aplicativo de ônibus
Aplicativo de ônibusFoto: Samuel Santos/Divulgação

Diante da mudança no modo de deslocamento das pessoas e a popularização de meios individuais de locomoção, como bicicletas, patinetes e Uber, o transporte público coletivo está perdendo espaço no mercado e sendo obrigado a se reinventar. A partir deste deste cenário foi criado o City Bus 2.0,que permite a realização de viagens sob demanda, acessadas por meio de aplicativo de celular. O serviço está em operação em Goiânia, Goiás, há seis meses e foi apresentado ontem durante visita técnica promovida pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

O conceito de passageiro como cliente do transporte coletivo é o que norteia o trabalho do City Bus 2.0, primeiro serviço desse tipo em operação comercial na América Latina. Operado pela HP Transportes, segunda maior concessionária de ônibus da Rede Metropolitana de Goiânia, o City Bus 2.0 atua em 18 bairros da capital goiana, em um raio de 40 quilômetros quadrados, atendendo cerca de 340 mil pessoas. Pesquisa interna realizada com os clientes do serviço indicou que 73% migrou de modos individuais de transporte

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Apesar de apresentar um crescimento gradativo e constante, segundo a diretora-executiva da HP Transportes, Indiara Ferreira, o serviço ainda não tem lucro para se manter sozinho. "Ainda não está equilibrado, pois foi implementado há apenas seis meses, mas nosso objetivo é a transformação do transporte público coletivo. E o City Bus 2.0 representa um passo em função disso. Estamos testando um conceito, mas acreditamos que com o tempo e à medida que formos buscando mais aplicações para esse conceito e integrando ao transporte convencional chegaremos a um equilíbrio", disse.

Segundo o gerente de design de serviços HP Transportes, Flavislei Costa, os preços da concorrência são constantemente monitorados. "Uma das grandes vantagens nossa é que conseguimos colocar numa mesma viagem mais pessoas. Então, precisamos também explorar essa capacidade para poder oferecer um preço mais competitivo", falou. Os miniônibus funcionam das 6h às 23h, de segunda a sábado. Sua tarifa é flexível, variável por distância, que inicia no valor de R$ 2,50 pouco mais da metade do preço (R$ 4,30) cobrado nos ônibus da Grande Goiânia. O tempo médio de atendimento da solicitação da viagem até o embarque está em 9,5 minutos.

O usuário informa o ponto inicial e o destino pelo aplicativo, como no Uber, e a informação é enviada para o motorista. Daí, é só esperar pelo veículo. O pagamento pode ser feito via cartão de crédito ou dinheiro. Ele conta com 29 vans equipadas com assentos confortáveis, ar condicionado, tomada e carregadores USB para celulares, portas automatizadas e três câmeras internas de segurança.

Debora Araújo Correia, 27 anos, é uma das seis mulheres que trabalham como motorista no City Bus 2.0. Ela conta que as pessoas já identificam as vans como um serviço de transporte público coletivo. "Muitos pedem para a gente parar como um ônibus comum e quando não está muito corrido paramos para explicar que precisa baixar o aplicativo e solicitar o serviço", disse, acrescentando que os jovens estudantes são os frequentadores mais assíduos do serviço, mesmo sem ele oferecer gratuidade ou meia passagem.

Implantação em Pernambuco

Avaliado positivamente pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Pernambuco (Urbana-PE), o City Bus 2.0 teria alguns empecilhos para ser implantado no Estado. O diretor da empresa Pedrosa e Conselheiro de Inovação da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Marcelo Bandeira, explica que no contrato das concessionárias que operam no Grande Recife não há nada que impeça a implantação de um serviço sem rota fixa semelhante ao da capital goiana, contudo não há também uma regulamentação detalhada para evitar brechas e problemas futuros.

"O City Bus 2.0 é um projeto ainda na fase de maturação, mas que vem tendo um bom desempenho e sendo bem aceito pela população, pois oferece mais conforto e flexibilidade ao passageiro que já trocou o transporte público coletivo pelo transporte individual, ou está pensando nessa alternativa. Acredito que em Pernambuco o serviço também seria bem aceito, mas diferentemente de Goiânia, que apenas um consórcio gere o sistema, aqui no Estado já temos dois consórcios em operação (Conorte e Mobibrasil) e outros cinco lotes em licitação. Então, teríamos que avaliar como faríamos para um não invadir a área do outro", explicou Bandeira.

Além disso, ele diz que precisaria ser definido como e quem faria o cálculo da tarifa. "Estamos estudando a possibilidade de oferecer algum serviço semelhante, mas temos algumas barreiras a serem superadas. Como a empresa seria penalizada se cometesse alguma irregularidade, por exemplo? Também tem toda análise de viabilidade econômica e financeira que precisa ser feita", falou. Diariamente são 2,7 mil ônibus circulando no sistema público de transporte no Grande Recife, em 402 linhas, realizando 25 mil viagens para atender 1 milhão e 800 mil passageiros.

Desde o seu lançamento, em 11 de fevereiro, o City Bus 2.0 já registrou 38 mil clientes cadastrados nas plataformas iOS e Android, um crescimento total de 177%. Outro ponto positivo é o índice de viagens agregadas, as viagens com mais de um passageiro. Essas corridas tiveram aumento de 56%, o que reforça a proposta inicial do serviço, que é a de incentivar as pessoas que fazem o uso do transporte individual a aderirem ao modo coletivo; contribuindo, assim, para a redução do número de carros em circulação na região onde o CityBus 2.0 opera.

* O repórter viajou a convite do Urbana-PE

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