Mulheres em Movimento

Carla Batista

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Dia 8 de Março em Salvador
Dia 8 de Março em SalvadorFoto: Camila Caracol/ Revista Quilombo

Depois do Carnaval, o ano começa, como costumamos dizer. E, depois dele, quando festa e política brincaram de mãos dadas por todo o Brasil, veio o 8 de março. Aconteceram por aqui as primeiras mobilizações de 2019. Mas, no restante do mundo também, milhares de mulheres foram às ruas reivindicar, expressar a força e a alegria de estarem juntas.

A primeira contribuição para MULHERES EM MOVIMENTO neste mês de março - quando a coluna completa um ano de existência - vem da Bahia. Fátima Fróes, que é produtora cultural, coordenadora da Articulação Mulher e Mídia-BA. Ela, que tem pesquisado sobre água e gênero e é mestranda em Estado, Governo e Políticas Públicas pela FLACSO, nos envia notícias de como foi o 8 de março por lá.

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Carla Batista

De volta para o futuro, a luta das mulheres no país em retrocesso

Fátima Fróes

Os momentos de maior visibilidade da luta das mulheres são os meses de março e o período de 25 de novembro a 10 de dezembro, os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. No momento em que há tantas ameaças de retrocesso atingindo todas as mulheres do mundo, é hora importante de avançarmos na luta para garantirmos e aprofundarmos nossas conquistas. Quanto mais retrocesso tentarem nos impor, maior unidade no avanço da nossa luta pela emancipação, pela equidade.

Neste mês de março, marco da concentração de debates, ações e também de organização da luta feminista, temos uma outra data, além do dia 8, que devemos destacar. O dia 14 de março, quando completa um ano do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Crime para o qual, ainda que tenhamos claros os caminhos e os autores, não houve punição. Um ato brutal que repercute mundialmente e que reafirma para todas nós que o lugar da mulher é na política. Os avanços que Marielle Franco sintetizou e trouxe à luta das mulheres não serão silenciados com a sua morte.

Em todo o Brasil as mulheres foram às ruas levando a memória de Marielle. Na Bahia, em diversas cidades, a luta repercute. Em Salvador aproximadamente 30 mil mulheres marcharam no centro da cidade. As bandeiras contra a reforma da previdência, contra a violência crescente, denúncias contra o retrocesso e perdas de direitos, finalizaram em um ato que clamou por Lula Livre e contra o estado de exceção, no Campo Grande, palco de manifestações políticas que geralmente acontecem na cidade.

Dia 8 de Março

Dia 8 de Março - Foto: Louisa Huber/cortesia

As manifestações na Bahia não se restringiram à capital ou à zona urbana, a exemplo das pequenas cidades de Serrolândia e Carinhanha. Para responder à violência, nos organizamos e nos tornamos mais fortes. A cada empurrão em direção ao passado, nos voltamos para o futuro e reafirmamos as lutas!

*Carla Gisele Batista é historiadora, pesquisadora, educadora e feminista desde a década de 1990. Graduou-se em Licenciatura em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1992) e fez mestrado em Estudos Interdisciplinares Sobre Mulheres, Gênero e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia (2012). Atuou profissionalmente na organização SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia (1993 a 2009), como assessora da Secretaria Estadual de Política para Mulheres do estado da Bahia (2013) e como instrutora do Conselho dos Direitos das Mulheres de Cachoeira do Sul/RS (2015). Como militante, integrou as coordenações do Fórum de Mulheres de Pernambuco, da Articulação de Mulheres Brasileiras e da Articulación Feminista Marcosur. Integrou também o Comitê Latino Americano e do Caribe de Defesa dos Direitos das Mulheres (Cladem/Brasil). Já publicou textos em veículos como Justificando, Correio da Bahia, O Povo (de Cachoeira do Sul).

** A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

 

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