Mulheres em Movimento

Carla Batista

ver colunas anteriores
Marcha das Margaridas 2019
Marcha das Margaridas 2019Foto: reprodução

Brasília vai ficar florida no mês de agosto. “É o querer, é o querer das Margaridas” que vai ocupar o planalto nos dias 13 e 14. “As decididas” preparam, desde a chamada feita em março de 2018, a 6ª Marcha das Margaridas, articulando parcerias, criando comitês nos estados e municípios, promotores de ações de mobilização, formação e divulgação. Entre maio e junho estão acontecendo encontros regionais para debates de aprofundamento e elaboração da Plataforma Política das Margaridas.

Em Recife, 18 e 19 de junho, aconteceu o encontro preparatório da Regional Nordeste. No dia 24, a Marcha Mundial de Mulheres organizou uma feijoada no Mercado do Campo, do Movimento dos Trabalhadores sem Terra-MST, para arrecadar recursos para as trabalhadoras rurais irem a Brasília. As ações se somam nacionalmente. Você pode ser também um/a dos/as apoiadores/as da Marcha das Margaridas, se organizando para ir a Brasília, e/ou contribuindo para que mais trabalhadoras rurais possam ir, através da página https://benfeitoria.com/marchadasmargaridas

Este ano as mulheres indígenas também irão compor, em aliança, a Marcha das Margaridas. A decisão foi tomada na 15ª edição do Acampamento Terra Livre, realizado em abril na capital federal.

Os eixos políticos que pautam os debates de organização da Marcha abrangem todo um conjunto de lutas dos movimentos de mulheres nas suas denúncias e protestos, ações de resistência e enfrentamento, proposição e pressão. São eles: por terra, água e agroecologia; pela autodeterminação dos povos, soberania alimentar e energética; pela proteção e conservação da sociobiodiversidade e acesso aos bens comuns; por autonomia econômica, trabalho e renda; por previdência e a assistência social pública, universal e solidária; por saúde pública e em defesa do SUS; por uma educação não sexista e antirracista e pelo direito à educação do campo; pela autonomia e liberdade das mulheres sobre o seu corpo e a sua sexualidade; por uma vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexismo; por democracia com igualdade e fortalecimento da participação política das mulheres.



O nome da marcha é uma homenagem à líder sindical paraibana Margarida Maria Alves, que foi assassinada na porta da sua casa em 1983, aos 40 anos de idade. Margarida foi uma lutadora incansável pelo direito à terra e pela reforma agrária, por melhoria das condições de trabalho no campo, em defesa da alfabetização e contra todas as formas de injustiças sociais.

Memória da Marcha das Margaridas

Em contexto de criminalização dos movimentos sociais e suas lutas, de estímulo à invasão de terras e expulsão de indígenas, inclusive com uso legitimado de armamentos; defesa ilimitada da agroindústria e liberação indiscriminada da produção de alimentos com agrotóxicos; cortes de recursos para a agricultura familiar, para a saúde e educação, que atingem em maior medida a população do campo; de reforma da previdência que se anuncia como fim de uma política baseada na solidariedade e da possibilidade de usufruir da velhice com tranquilidade; ausência do Estado de Direito; da legitimação de todas as formas de violências, a Marcha é mais um convite à mobilização que parte das mulheres, para todas as pessoas que defendem a democracia.

A Marcha das Margaridas é coordenada pela Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares – Contag, suas 27 federações e mais de 4 mil sindicatos filiados. Tem como parcerias iniciais: Articulação de Mulheres Brasileiras, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Central Única dos Trabalhadores, Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiros e Marinhos, Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados e Assalariadas Rurais, Confederação de Organizações de Produtores Familiares, Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia, Camponeses e Indígenas do Mercosul Ampliado, Marcha Mundial de Mulheres, Movimento Articulado das Mulheres da Amazônia, Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste, Movimento de Mulheres Camponesas, União Brasileira de Mulheres, União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária.

Acompanhe através do facebook https://www.facebook.com/Marchadasmargaridas/

* Carla Gisele Batista é historiadora, pesquisadora, educadora e feminista desde a década de 1990. Graduou-se em Licenciatura em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1992) e fez mestrado em Estudos Interdisciplinares Sobre Mulheres, Gênero e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia (2012). Atuou profissionalmente na organização SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia (1993 a 2009), como assessora da Secretaria Estadual de Política para Mulheres do estado da Bahia (2013) e como instrutora do Conselho dos Direitos das Mulheres de Cachoeira do Sul/RS (2015). Como militante, integrou as coordenações do Fórum de Mulheres de Pernambuco, da Articulação de Mulheres Brasileiras e da Articulación Feminista Marcosur. Integrou também o Comitê Latino Americano e do Caribe de Defesa dos Direitos das Mulheres (Cladem/Brasil). Já publicou textos em veículos como Justificando, Correio da Bahia, O Povo (de Cachoeira do Sul).

**A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo da coluna

 

veja também

comentários

comece o dia bem informado: