Estado Islâmico
Estado IslâmicoFoto: Divulgação

Pelo menos 20 pessoas, incluindo 14 funcionários de um campo de petróleo, morreram nesta quinta-feira (21) em um ataque com carro-bomba em uma região do leste da Síria sob o controle da aliança curda que combate o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

"O carro-bomba foi operado remotamente na cidade de Cheheil", durante a passagem do comboio que transportava os trabalhadores do campo petrolífero de Al Omar, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

As vítimas incluem seis "recrutas" das Forças Democráticas da Síria (FDS), a aliança árabe curda que combate o EI.

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O ataque foi revindicado na tarde de quinta-feira Estado Islâmico mediante mensagens distribuídos com a ajuda do serviço de mensagens Telegram. As células jihadistas que ainda subsistem na zona "estão tentando frear novos avanços" declarouum porta-voz das FDS, Adnan Afrin.

Paralelamente a isso, inúmeros civis permaneciam encurralados no último reduto do EI no leste da Síria, e as forças antijihadistas apoiadas por Washington tentam evacuá-los para poder finalmente derrotar os jihadistas que restam na ativa.

Centenas de homens, mulheres e crianças foram evacuados na quarta-feira por uma dúzia de caminhões, deixando o último setor jihadista na cidade de Baghuz, muito perto da fronteira com o Iraque.

Atualmente, os combatentes curdos e árabes das FDS estão concentrados nessas evacuações, que permitirão derrotar os últimos combatentes do EI, e anunciar com grande pompa o fim do "califado" autoproclamado em 2014 pelo EI entre a Síria e o Iraque.

"Ficamos surpresos ao ver que ainda há um grande número de civis dentro (do reduto jihadista), além dos combatentes", disse um porta-voz das FDS, Adnan Afrin.

"Todos os dias esperamos que os civis saiam para encontrar refúgio nas FDS", acrescentou. Na quarta, ao menos 10 caminhões transportando homens, mulheres e crianças deixaram o povoado de Baghuz.

Em uma posição das FDS, aliança curdo-árabe que conduz a ofensiva "final" contra o EI na localidade, uma jornalista da AFP viu passar os caminhões deixando Baghuz com dezenas de homens, que escondiam seus rostos, além de mulheres em niqab e muitas crianças.

As FDS e a coalizão internacional anti-EI desaceleraram suas operações para deixar que as famílias saiam, e acusam os jihadistas de usar os civis da localidade como "escudos humanos".

Homens suspeitos de pertencerem ao EI são transferidos para centros de detenção. Civis, incluindo mulheres e filhos de jihadistas, são enviados para campos de deslocados no nordeste da Síria.

A Casa Branca informou nesta quinta-feira que os EUA manterão cerca de 200 soldados na Síria após a retirada das tropas. "Um pequeno grupo de manutenção da paz com cerca de 200 (efetivos) ficará por algum tempo na Síria", garantiu Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca.

Este anúncio veio depois de uma conversa telefônica entre Donald Trump e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan.

'Situação alimentar crítica'
Em Baghuz, o EI controla apenas uma pequena área de casas. Os jihadistas estão entrincheirados em túneis, no meio de um mar de minas que impedem o avanço das FDS.

A situação alimentar é crítica e itens de alimentação são vendidos a preços extorsivos, segundo testemunhas.

Os abrigos recebem mais de 2.500 crianças estrangeiras, de mais de 30 países, das quais 1.100 chegaram desde janeiro, informou a ONG Save the Children nesta quinta-feira.

Entre essas crianças, muitas não estão acompanhadas pelos pais, disse a organização, que denuncia uma situação humanitária "desesperadora". "As crianças estão em perigo de morte", alertou a ONG.

A questão dos estrangeiros radicalizados bloqueados na Síria é um verdadeiro quebra-cabeças para as autoridades semiautônomas curdas. Esses ocidentais representam um verdadeiro desafio para os países ocidentais, que não gostariam de repatriá-los apesar dos apelos nesse sentido das forças da coalizão.

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