Theresa May, primeira-ministra britânica
Theresa May, primeira-ministra britânicaFoto: Adrian Dennis/AFP/POOL

Se o Reino Unido deixar a União Europeia (UE) sem um acordo, o bloco e os parceiros comerciais menores do país poderão perder muito, enquanto Pequim e Washington, por outro lado, obterão grandes benefícios, afirmou a ONU nesta terça-feira.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) discutiu as repercussões para os parceiros comerciais do Reino Unido de uma saída abrupta do país da UE sem um acordo.

O relatório surge no momento em que a primeira-ministra britânica Theresa May tenta fazer com que os líderes europeus prorroguem a data de partida para depois de 12 de abril, na tentativa de evitar esse cenário.

O documento aponta que uma partida abrupta "alteraria significativamente as condições de acesso ao mercado britânico para países desenvolvidos e em desenvolvimento".

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O mercado britânico representa atualmente cerca de 3,5% do comércio mundial, e no ano passado o país importou mercadorias do resto do mundo no valor de quase US$ 680 bilhões, segundo dados da UNCTAD.

Mais da metade desse valor veio de países da UE, que podem perder quase US$ 35 bilhões em exportações no caso de um Brexit sem acordo, segundo o relatório.

Por outro lado, o Reino Unido é também um importante parceiro comercial para muitos países em desenvolvimento, cujas exportações até agora desfrutavam de condições muito favoráveis de acesso a mercados, em grande parte graças aos esquemas preferenciais da UE.

Se houver um acordo de saída adequado, com um longo período de transição, os parceiros comerciais terão tempo para negociar novos acordos bilaterais para substituir os acordos da UE que não serão mais aplicados ao Reino Unido, avaliou a UNCTAD.

Mas, sem esse acordo, os países que atualmente se beneficiam de um acesso favorável ao mercado serão afetados, enquanto os países que já enfrentaram tarifas se beneficiarão.

"O Brexit não é apenas uma questão regional", disse Pamela Coke-Hamilton, da UNCTAD, em um comunicado.

"Uma vez que o Reino Unido tenha deixado para trás seus 27 parceiros da União Europeia, isso alterará a capacidade de países não pertencentes à UE de exportarem para o mercado britânico", acrescentou.

Se os britânicos deixarem a UE sem acordos para proteger seus atuais parceiros comerciais preferenciais, "aumentará a competitividade relativa dos principais países exportadores, como a China ou os Estados Unidos", concluiu Coke-Hamilton.

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