Soldado norte-americano em base dos EUA no Quênia em foto de agosto
Soldado norte-americano em base dos EUA no Quênia em foto de agostoFoto: Lexie West/US Air Force/AFP

Milicianos do grupo islamita somali Shebab atacaram neste domingo (5) uma base militar utilizada pelos Exércitos dos Estados Unidos e do Quênia na cidade costeira de Lamu (norte do Quênia), matando um militar americano e dois funcionários do Pentágono, segundo o comando militar americano para a África (Africom).

Outros dois funcionários do Pentágono ficaram feridos na ofensiva. O estado de saúde deles é estável, e eles estavam sendo transferidos, indicou o comando.

Este ataque, que ocorreu na madrugada na base conhecida como Camp Simba, em Manda Bay, perto da ilha turística de Lamu, é o último de uma longa lista desde que Nairóbi enviou tropas para a Somália em 2011 para combater o grupo afiliado à Al-Qaeda.

O porta-voz do Exército queniano, o coronel Paul Njuguna, declarou em comunicado que "houve uma tentativa às 05h30 de abrir uma brecha na segurança na pista aérea de Manda".

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"A tentativa foi repelida com sucesso. Até agora, encontramos os corpos de quatro terroristas. A pista não foi afetada. Após esta tentativa fracassada, foi declarado um incêndio que afetou as reservas de combustíveis localizadas na pista", informou. O porta-voz acrescentou que o incêndio foi controlado.

Um relatório da polícia ao qual a AFP teve acesso indica que dois aviões, dois helicópteros americanos e "vários veículos americanos" foram destruídos na pista de pouso.

Irungu Macharia, uma autoridade local do Quênia, também confirmou que o ataque ocorreu de madrugada e "foi repelido", sem especificar se havia vítimas.

Em um breve comunicado, o comando militar americano para a África (AFRICOM) confirmou o ataque contra "o aeródromo de Manda Bay" e disse estar "monitorando a situação", sem mais detalhes.

A região de Lamu é palco frequente de ataques do Shebab contra as forças de segurança.

O Shebab assumiu a responsabilidade por este ataque em um comunicado, afirmando que seus membros "entraram com sucesso na base militar fortificada e assumiram o controle efetivo da base".

O grupo afirmou que há vítimas quenianas e americanas, uma informação que não pôde ser confirmada no momento.

A milícia explicou que o ataque é parte da campanha "Al-Qods (Jerusalém) nunca será judeu", um slogan usado pela primeira vez no ataque contra o complexo hoteleiro Dusit em Nairobi em janeiro do ano passado, no qual 21 pessoas morreram.

Os milicianos somalis cometeram vários ataques no Quênia em retaliação ao envio de tropas à Somália em 2011 para combatê-los.

O Shebab realizou, em 28 de dezembro, um dos mais sangrentos ataques da década, com um saldo de 81 mortos em Mogadíscio.

Expulso de Mogadíscio em 2011, o Shebab perdeu a maioria de seus redutos. Mas controla enormes áreas rurais, onde realizam operações de guerrilha e atentados suicidas. Estima-se que atualmente tenha entre 5.000 e 9.000 combatentes.

Em um relatório publicado em novembro, um grupo de especialistas da ONU na Somália ressaltou o "número sem precedentes" de bombas artesanais e outros ataques transfronteiriços entre o Quênia e a Somália em junho e julho de 2019.

Segundo o Instituto de Estudos de Segurança (ISS), os Estados Unidos tem 34 bases militares conhecidas na África, de onde realizam "operações com drones" e organizam "treinamento, exercícios militares e atividades humanitárias".

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