Evento promoveu encontro sobre manual
Evento promoveu encontro sobre manualFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Denunciar o estupro no Brasil é um desafio. De acordo com estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apenas 10% das 527 mil vítimas de violência sexual fazem denúncia à polícia no País. Insegurança, medo, ambiente hostil e falta de capacitação dos profissionais da área são algumas das causas para isto.

Até pouco tempo, esta era uma realidade dos órgãos específicos em perícia sexual. Para reverter a situação e dar mais agilidade e humanização no atendimento às vítimas deste tipo de violência, a médica legista do Instituto de Medicina Legal (IML), Eveline Catão, apresentou o Manual de Sexologia Forense e Atendimento às Mulheres, Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, ontem, na Câmara Municipal do Recife.

A reunião pública, que ocorreu na Casa José Mariano pela manhã, teve autoria da vereadora Michele Collins (PP), que também preside a comissão dos Direitos Humanos e Cidadania. Reunindo autoridades da área, o manual foi apresentado para padronizar e melhorar o atendimento às mulheres, crianças e adolescentes vítimas nos Institutos de Medicina Legal em Pernambuco. Nele, há uma explicação sobre as atribuições e competências dos profissionais do setor de sexologia, bem como estabelecer protocolos e fluxograma de atendimento a essas vítimas. Hoje, essas pessoas são encaminhadas para 12 unidades do IML espalhadas pelo Estado.

Segundo a autora do documento, ele serve para padronizar um atendimento que existe no Estado de Pernambuco há um ano. “Queremos expandir para as unidades do interior, em promoção a uma melhor humanização, menor revitimização (quando a vítima volta a sofrer), menos burocracia no atendimento. Ele não serve apenas para os profissionais da Polícia Científica e do IML. Ele vai servir de orientação para as vítimas, para os juízes, delegados e conselhos tutelares que lidam com este tipo de situação”, afirma Eveline Catão.

Para a vereadora Michele Collins, o apoio do poder público à questão é necessário para dar continuidade a políticas de inclusão desses grupos vitimizados. “Esse manual é uma ferramenta para os profissionais que lidam com crianças, mulheres e adolescentes vítimas de violência sexual. A que a gente, enquanto representante do poder público, faz em apoiar ainda é pouco diante da necessidade e do tamanho da violência. Ficamos satisfeitos em apoiar iniciativos como essa, pois doutora Eveline conhece de perto a realidade dessas vítimas e dos profissionais que lidam com elas”, frisa a representante da Câmara.

“Esse Manual de Sexologia Forense faz parte de um grande projeto da Polícia Científica que trata de humanização. Desde o ano de 2018, a gente sentiu a necessidade de dar um tratamento diferenciado dessas vítimas. A gente ainda tem uma subnotificação dos casos muito grande. Com um espaço exclusivo para se dedicar à perícia desses casos, a gente percebe uma grande mudança, até as vítimas contam de uma forma melhor o que aconteceu, facilitando o trabalho dos médicos legistas”, complementa a gerente geral da Polícia Científica, Sandra Santos.

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