Vice-reitor da UFPE, Moacyr Araújo, durante coletiva no Palácio do Campo das Princesas
Vice-reitor da UFPE, Moacyr Araújo, durante coletiva no Palácio do Campo das PrincesasFoto: Lidiane Mota/Folha de Pernambuco

Nas próximas semanas, é provável que novas manchas de petróleo cru apareçam nas praias nordestinas. Segundo o vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araújo, que também é professor do Departamento de Oceanografia da instituição, a quantidade de resíduos encontrada no litoral corresponde a um percentual do que teria vazado. “As estimativas são de que cerca de 30 a 40% do que a gente vê ainda estão no oceano, mas muito provavelmente não vamos acabar com isso, assim, de hoje para amanhã”, afirmou.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (23) após reunião convocada pelo governador Paulo Câmara com pesquisadores, técnicos e gestores no Palácio do Campo das Princesas. Participaram do encontro 14 cientistas de universidades públicas e privadas e instituições como a Academia Brasileira de Ciências, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Sociedade Brasileira de Pesquisa Científica (SBPC). Também estavam presentes técnicos e gestores da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e das secretarias de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Saúde, Planejamento e Ciência e Tecnologia, além do Porto de Suape.

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De acordo com Araújo, não é possível definir ainda as áreas que poderão ser afetadas. “Pernambuco está em uma rota muito vulnerável porque pela frente passam 140 a 150 navios-tanque por mês, apesar de não sermos produtores de petróleo. Não dá para ter uma certeza disso [por onde o óleo vai chegar] porque tudo é com base probabilística. Os estudos serão feitos ao longo do fim de semana. Estamos fazendo simulações constantes. Na próxima semana, teremos uma posição melhor”, adiantou.

Apesar de as primeiras manchas terem aparecido na Região há quase 50 dias, os vazamentos na costa pernambucana se tornaram mais intensos na semana passada. Vindo primeiro pelo Litoral Sul, de São João da Coroa Grande ao Cabo de Santo Agostinho, foram detectados, nesta quarta-feira (23), mais resíduos oleosos nas praias de Barra de Jangada, em Jaboatão, e do Janga, em Paulista.

Segundo o professor Moacyr Araújo, as correntes marítimas que trazem o óleo vêm da África e, ao ficarem mais densas, ficam circulando pelo litoral nordestino. “Entre o Rio Grande do Norte e a Bahia, em determinado momento, a corrente empurra essas manchas mais para perto daquele estado onde estiver, depois vai mais para o sul e por aí vem”, descreveu o vice-reitor da UFPE.

Durante a reunião, também foi discutida a realização de análises para detectar o nível de contaminação nos animais consumidos como alimentos. Para Araújo, até a extensão dos danos ser confirmada, a orientação é evitar comer produtos como ostras e mariscos. “A gente precisa ter mais dados científicos sobre isso, mas a princípio eu recomendaria que a gente evitasse nos próximos dias”, ressaltou.

O secretário de Saúde, André Longo, disse que não há restrição para comercialização e consumo de pescados. “A gente precisa fazer mais estudos para que possa fazer uma recomendação de restrição”, declarou.

Quanto às investigações sobre a responsabilidade de quem teria provocado os vazamentos, a vice-presidente estadual da OAB, Ingrid Zanella, doutora em Direito Marítimo que preside a Comissão Especial para Análise de Derramamento de Óleo criada pelo órgão, informou que as comunidades atingidas deverão ser ressarcidas. “Se identificarmos os envolvidos, teremos o seguro para ressarcir todos os custos e danos ecológicos e sociais. Se não descobrirmos, existem fundos internacionais que podem ajudar o Brasil”, explicou.

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