Foram distribuídos 725 fuzileiros navais no Litoral Sul
Foram distribuídos 725 fuzileiros navais no Litoral SulFoto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Quase um mês depois da última aparição de manchas de petróleo cru no litoral pernambucano, ainda existem resíduos de material oleoso nos locais afetados. Nesta segunda-feira (11), o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) e Agência Nacional de Petróleo (ANP), reforçou o trabalho para identificar esses pontos de contaminação.

Os órgãos também contabilizarão pessoas que relataram ter tido algum sintoma de intoxicação. Desde o último domingo (10), os trabalhos de limpeza de praias e manguezais ganharam o apoio da operação “Amazônia azul, mar limpo é vida”.

Ao todo, 725 fuzileiros navais, incluindo 655 praças e 70 oficiais, foram distribuídos em nove pontos do Litoral Sul do Estado atingidos pelo derramamento de petróleo. Entre os locais monitorados, estão as praias do Xaréu e de Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho; os estuários dos rios Sirinhaém, Ipojuca, Massangana, entre os municípios do Cabo e Ipojuca, e Mamucabas, em Tamandaré; e os bancos de corais de São José da Coroa Grande e das praias do Cupe e Muro Alto, em Ipojuca. A operação conta com apoio do Corpo de Bombeiros, Ibama, Defesa Civil e Petrobras.

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A equipe recolheu na divisa entre Alagoas e Pernambuco cerca de 25 quilos de resíduos oleosos. De acordo com o Ibama, até esta segunda-feira (11) foram contabilizadas 4.400 toneladas de resíduos de óleo retirados das praias nordestinas. Os trabalhos começaram na manhã do último domingo, quando os navios de Apoio Oceânico Iguatemi e Doca Multipropósito Bahia e o porta-helicópteros Multipropósito Atlântico, vindos do Rio de Janeiro, desembarcaram no Complexo Portuário de Suape, onde uma das bases da operação foi instalada.

Nos próximos dias, outra base será montada em Tamandaré para reforçar o monitoramento na área sul de Pernambuco e no norte de Alagoas. Daqui também partirá outro efetivo para Fortaleza, no Ceará. “No meio desta semana, estão partindo”, informa o capitão Ramon Silva Nascimento, comandante da operação no Estado.

De acordo com o militar, os navios e helicópteros estão sendo usados para grandes deslocamentos entre os pontos vistoriados, mas, para a limpeza de locais sensíveis como os manguezais, os agentes utilizam embarcações a remo. “O mangue requer trabalhos delicados. A raiz, por exemplo, quando está contaminada com óleo, é necessário que o militar passe sem danificar. Não pode pisar no mangue, tem todo um protocolo. É um trabalho minucioso, olhando os galhos, as raízes e, onde tiver óleo, nós vamos equipar o pessoal com material de proteção individual e recolher esse material (oleoso)”, detalha o capitão.

Moradores
Além do trabalho de identificação de focos ainda afetados pelo petróleo, está sendo feito um levantamento dos moradores que tiveram contato com a substância. O objetivo é reunir dados de quantas pessoas tiveram algum problema de saúde na limpeza das praias.

“Nos baseamos em um formulário que visa identificar o morador que tenha apresentado ou esteja apresentando algum sinal de intoxicação. Caso haja uma identificação de alguém contaminado, a nossa orientação é encaminhá-lo para a rede pública de atendimento”, explica o capitão de fragata médico João Francese Neto. Entre os sinais de intoxicação com petróleo, estão ardência ou coceira nos olhos, dor de cabeça, enjoo, tosse e diarreia.

Um dos moradores que participaram do levantamento foi o pescador Ademir Ferreira dos Santos, 38. Ele teve contato com o óleo, mas diz que utilizou equipamentos de proteção e não sentiu sintoma de intoxicação. “Eles só queriam saber de saúde, mas eu tive muito prejuízo e sobre renda mensal, [perguntaram] nada”, comenta.

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