Jornalista sofreu cortes no braço e no rosto
Jornalista sofreu cortes no braço e no rostoFoto: Sérgio Bernardo/JC Imagem/Cortesia

Relatos de violência física e verbal praticados por eleitores de Bolsonaro foram registrados durante a eleição deste domingo (7). As ocorrências foram em locais de votação do Recife, em bairros como Ibura, na Zona Sul do Recife, e Campo Grande, na Zona Norte. Uma jornalista e um homem foram agredidos com frases preconceituosas. Ela chegou a prestar queixa à Polícia e denunciou ameaça de estupro.

Uma repórter do Sistema Jornal do Commercio denunciou ter sofrido agressão no momento em que saía do seu local de votação, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife, antes de seguir para o plantão. Segundo a jornalista de 40 anos, dois homens a abordaram de maneira violenta, chegando a ameaçá-la de estupro.

A agressão, de acordo com a vítima, ocorreu por volta das 14h, quando ela caminhava em direção ao seu carro, que estava estacionado na rua Franklin Távora. “Um dos homens estava vestido com uma camisa do Bolsonaro e o outro, de verde e amarelo. Eles viram o meu crachá de identificação, me seguraram e falaram que ‘quando o comandante for presidente, a imprensa não terá vez’”, conta. "Eu não fiz nenhuma manifestação política. Estava vestida de cinza, inclusive, para não parecer que estava apoiando qualquer candidato", complementa. 

A diretora de Conteúdos Digitais do Sistema Jornal do Commercio, Maria Luiza Borges, lamentou a violência cometida contra a repórter. “Não se pode aceitar nenhuma ameaça ao exercício da nossa profissão. Vamos dar apoio à profissional e confiamos que a polícia vai esclarecer os fatos e punir os culpados”, comentou em nota divulgada à imprensa.

Leia também:
Eleições: sobe para 1.285 número de urnas eletrônicas com defeito
Votação no exterior pode ter comparecimento recorde, diz Itamaraty
Boletins de urna começam a ser divulgados após encerramento da votação no exterior


Ainda segundo a jornalista, eles portavam um objeto cortante, que utilizaram para feri-la no braço e no rosto. “Uma mulher passou de carro e começou a buzinar. Acho que isso fez eles se assustarem e me deixarem”, afirma.

Por volta das 15h30, a repórter registrou boletim de ocorrência na Delegacia do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, e voltou ao local do crime na companhia de policiais. Logo depois, seguiu para fazer exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). O caso será investigado pela Polícia Civil, que pedirá as imagens das câmeras de segurança da região.

Agressão verbal
Outro relato foi de um estudante universitário, que publicou no seu perfil no Facebook a agressão que sofreu na saída da Escola Lagoa Encantada, localizada no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. De acordo com ele, ao caminhar para saída do colégio, um grupo de cinco a sete pessoas o hostilizaram ao gritar frases homofóbicas e ‘O general está vindo’.

“Eu estava com o adesivo da candidatura a deputado estadual das Juntas e o outro grupo estava com camisas de Bolsonaro. Começaram a gritar comigo, comemorando a vitória do candidato deles”, contou.

Ainda segundo ele, o grupo de eleitores tentou impedir sua saída do colégio. “Quando eu fiquei tentando sair, um homem que não estava fardado disse que era policial e pediu para que eles parassem. Nessa hora, eu atravessei a rua e entrei no Uber que eu tinha pedido”, disse o estudante, que não pretende prestar queixa à Polícia por medo de represálias.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: