Protesto de taxistas no Centro do Recife
Protesto de taxistas no Centro do RecifeFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Taxistas estão impedidos de bloquear totalmente vias públicas do Recife em protestos como o ocorrido na última segunda-feira (1º). A decisão de manutenção e reintegração de posse foi assinada pelo juiz Luiz Rocha, da 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital.

A liminar atende a um pedido da Prefeitura do Recife (PCR) feito após o ato dos profissionais que deixaram seus carros estacionados por várias horas em frente ao edifício-sede da gestão municipal. Na ocasião, os taxistas cobravam o cumprimento da Lei Municipal nº 18.528/2018, que rege sobre o transporte particular de passageiros por aplicativo na Capital e foi sancionada pelo prefeito no ano passado.

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Caso voltem a bloquear completamente o tráfego nas vias da cidade, cada taxista está sujeito a uma multa de R$ 1 mil. A categoria também está proibida de ocupar as entradas do prédio da PCR e protestar em vias adjacentes em um raio de dois quilômetros. Se desrespeitarem esse ponto da decisão, devem ser multados em R$ 50 mil por dia.

De acordo com a liminar do juiz Luiz Rocha, a ação dos taxistas "extrapola os limites da legalidade", apesar de considerar o livre direito à manifestação da categoria. O presidente da Frente dos Taxistas de Pernambuco (Fretaxi), Walmir Teixeira, afirma que o grupo não pretende deixar de protestar, apesar da liminar. "Não podemos ir com carro, mas vamos de bicicleta, de patins, a pé, de carro de mão. O protesto continua", disparou. Ainda segundo o presidente, os taxistas estão articulando um novo protesto para a próxima segunda-feira (8). Os horários e locais de concentração e protesto deverão ser os mesmos do último ato realizado na segunda, embora prometam não usar os carros.

O diretor da Cooperativa de Taxistas de Shoppings do Recife, Wellington Lima, afirmou que várias tentativas de diálogo com a categoria foram pedidas, mas não surtiram efeito. "Estamos indo ao advogado para ver o lado jurídico e tentar derrubar essa liminar. Vamos agir e contra-atacar", disse. Para o taxista Carlos Alberto Ferreira, 64 anos, que trabalha na categoria há 40 anos, o protesto é legítimo. “Eu não pude participar [do ato da última segunda], mas no próximo eu vou a pé, de bicicleta, mas vou. Acho injusta a posição das autoridades”, reclamou.

Para o taxista Carlos Alberto Ferreira, 64 anos, que trabalha na categoria há 40 anos, o protesto é legítimo

Para o taxista Carlos Alberto Ferreira, 64 anos, que trabalha na categoria há 40 anos, o protesto é legítimo - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

As opiniões da população em relação ao assunto são diversas. O conferente José Fernando Vilar dos Santos, 65 anos, que afirmou ter tido a rotina afetada na última segunda, se queixa do movimento. “Sempre somos prejudicados. Eu acho justo o protesto, pois é uma maneira deles de chamar atenção, mas deveriam deixar pelo menos uma parte aberta para não atrapalhar tanto o trânsito e não impedir o pessoal de se movimentar”, afirmou.

Por outro lado, a universitária Maria Luísa Galindo, 18 anos, afirma ter sido prejudicada pelos bloqueios dos taxistas, mas concorda com os atos. "É um direito de toda classe. É óbvio que o protesto causa transtornos para quem quer estudar e trabalhar. Não concordo com a decisão do juiz pois vale o direito do protesto”, opinou. O também universitário Lucas Lustosa, 20, concorda com os atos apesar de não ter enfrentado transtornos na última segunda. “É importante a classe buscar seus direitos e protestar, mas também tem gente que precisa dessa forma de emprego”, disse. 

Protesto de taxistas no Centro do Recife
Protesto de taxistas no Centro do RecifeFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco
A estudante Maria Luísa Galindo afirma ter sido prejudicada pelos bloqueios dos taxistas, mas concorda com os atos
A estudante Maria Luísa Galindo afirma ter sido prejudicada pelos bloqueios dos taxistas, mas concorda com os atosFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco
O universitário Lucas Lustosa concorda com os atos apesar de não ter enfrentado transtornos
O universitário Lucas Lustosa concorda com os atos apesar de não ter enfrentado transtornosFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco
O conferente José Fernando Vilar dos Santos se queixa do movimento
O conferente José Fernando Vilar dos Santos se queixa do movimentoFoto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

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