Decisão se deu após audiência de instrução realizada no Fórum do Recife, nesta quarta-feira, para obter informações sobre projetos
Decisão se deu após audiência de instrução realizada no Fórum do Recife, nesta quarta-feira, para obter informações sobre projetosFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

Quase 90 dias depois da desocupação das cerca de 2 mil pessoas que residiam no edifício Holiday, em Boa Viagem, bairro da Zona Sul do Recife, uma comissão de peritos foi formada para acompanhar a formulação de um plano de requalificação para o lugar. Nessa quarta-feira (10), uma audiência de instrução foi realizada no Fórum do Recife para obter informações dos representantes do condomínio e da Prefeitura do Recife sobre o que há de concreto em termos de projetos.

De acordo como juiz Luiz Rocha, da 7ª Vara da Fazenda Pública, a formação da comissão visa pressionar os responsáveis pelo condomínio sobre os serviços elétricos e estruturais necessários para que o prédio seja autorizado a funcionar. “O prédio é de natureza privada, portanto a responsabilidade é do próprio condomínio. Existem vários engenheiros trabalhando, mas um cronograma de atividades que levem à recuperação ou à aquisição de materiais não existe nos autos.”

“Temos várias famílias que saíram de suas casas e essas pessoas também têm o direito de saber o que é que está acontecendo. Há uma preocupação com o desdobramento social”, considerou Rocha. A comissão será composta por oito entidades que deverão indicar representantes dentro do prazo de dez dias. Dentre eles estão o próprio condomínio, a Prefeitura, o Corpo de Bombeiros, o CREA e a Secretaria de Defesa Social.

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Principal representante do Holiday, o síndico Rufino Neto comentou a dificuldade para a elaboração de uma equipe técnica ainda nos 45 dias da desocupação. “Não é tão ligeiro quanto se espera, pois tivemos o desafio de encontrar engenheiros elétricos e civis com tempo disponível e aptos a assinar esses projetos”, explicou. Ainda de acordo com Rufino, cinco projetos devem ser elaborados para assegurar a viabilidade.

Há um mês, uma parceria foi firmada entre o condomínio e o Sindicato dos Engenheiros de Pernambuco, que, desde então, trabalha para fechar outras parcerias que beneficiem o edifício. “Só depois que os projetos estiverem feitos e orçados é que iremos partir para a capitalização de verba. Todo o trabalho que tem sido feito, é voluntário, mas estão todos trabalhando com todo o gás”, esclareceu Rufino.

Edifício Holiday, em Boa Viagem, foi interditado em março deste ano

Edifício Holiday, em Boa Viagem, foi interditado em março deste ano - Foto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

No local
Contornado por tapumes azuis, a edificação de 17 andares e 476 apartamentos da rua Salgueiro foi isolada do resto do bairro de Boa Viagem. Adesivos do TJPE informam o número da decisão do processo nº 0013676-17.2019.8.17.2001, que determinou a desocupação voluntária do imóvel. “Eles querem nos tirar isso a todo custo”, comenta um morador, que pediu para não ser identificado, em menção aos demais envolvidos no processo judicial.

Às segundas, quartas e sextas-feiras, Carlos Barbosa, 54, subsíndico e proprietário do apt. 723 aguarda, do lado de fora, a entrega das correspondências dos inquilinos ou proprietários que residiam no Holiday. São diversos pacotes de faturas de cartões de crédito, planos de saúde, Detran até cartões do Bolsa Família. “Tem sido difícil para todos nós. Para a audiência foram engenheiros, arquitetas e advogadas em favor do prédio. Espero alguma conclusão boa, algum melhoramento”, conta.

Insatisfeito com o ritmo no andamento do processo, Carlos prefere acompanhar a distância. Desde a interdição, em março deste ano, os moradores estão impedidos de voltar aos apartamentos e também de ultrapassar a área cercada. No entanto, a medida não intimida pessoas interessadas no conteúdo de valor do imóvel. “Na segunda, três pessoas entraram para tentar roubar o disjuntor principal do prédio. Os vigilantes da Prefeitura passam meia hora aqui e vão embora.”

Ex-morador do apt. 1.519, o vigilante Rogério Inácio, 45, faz a segurança voluntária, de quinta a domingo. Nestes dias, ele dorme na rua, em uma feira próxima ao Holiday. Os demais passa na casa dos pais, no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes. “Fico aqui tomando conta do prédio porque não tem vigilância e as pessoas invadem para roubar os fios de cobre e coisas dos apartamentos”, afirma Rogério, que há 41 anos residia no condomínio.

Decisão se deu após audiência de instrução realizada no Fórum do Recife, nesta quarta-feira, para obter informações sobre projetos
Decisão se deu após audiência de instrução realizada no Fórum do Recife, nesta quarta-feira, para obter informações sobre projetosFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
A moradora Suelen Lopes cobra andamento em processo durante audiência
A moradora Suelen Lopes cobra andamento em processo durante audiênciaFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
Representante da comissão de moradores, Jeane da Silva, fala das dificuldades de quem teve que deixar sua casa
Representante da comissão de moradores, Jeane da Silva, fala das dificuldades de quem teve que deixar sua casaFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco
No local, o subsíndico Carlos Barbosa aguarda inquilinos para a entrega das correspondências que ainda chegam no endereço
No local, o subsíndico Carlos Barbosa aguarda inquilinos para a entrega das correspondências que ainda chegam no endereçoFoto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

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