Chuvas no Recife
Chuvas no RecifeFoto: Caio Da Nialgil/Divulgação

Em obras desde abril, a Conde da Boa Vista, no Centro do Recife, passa por requalificação. Além de novas paradas de ônibus, as calçadas estão sendo revitalizadas, com drenagem e construção de faixas elevadas. Porém, não precisa se afastar muito da avenida principal para se constatar uma realidade bem diferente. As ruas do entorno continuam com diversos problemas estruturais. Buracos, lixo e alagamentos nos dias de chuva são alguns dos transtornos elencados pela população. Em resposta, a prefeitura informou que fará uma vistoria na área nesta quarta-feira (24).

Na Rua do Riachuelo, pedestres têm tido dificuldade para andar nas calçadas. Nas imediações da Faculdade de Direito, o buraco em frente ao prédio de uma antiga farmácia enche de lama na chuva e vira um obstáculo, principalmente para quem tem problemas de locomoção. “A gente que é de idade tropeça, escorrega. Aqui precisa de uma melhoria”, afirma a aposentada Maria José Ferreira, 61. “Eu me seguro nela [para não cair]”, conta o marido, Severino Rodrigues, 58, que já sofreu uma queda depois que teve um AVC. “Se eu não tivesse me encostado na parede, tinha quebrado a perna”. A técnica de enfermagem, Eliane Maria Marques, 41, trabalha nas proximidades e diz que sempre anda com cuidado. “Sem contar o constrangimento do trânsito, as obras inacabáveis, a gente arriscar cair num buraco e ter uma fratura exposta séria”, afirma.

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Já na Rua Sete de Setembro, a catadora Vera Rita da Silva, 63, procurava se desvencilhar do lixo que ocupava toda a calçada por trás de uma feira de frutas e verduras. “Moro no Recife Antigo e ando sempre por aqui. Tenho diabete, pressão alta, tontura. Fica difícil”, ressalta. O feirante Derivaldo Esteves dos Santos, 47, afirmou que o lixo acumulado vem dos condomínios e de um restaurante. Segundo ele, as sobras da feira são armazenadas em um terreno atrás das barracas. “A coleta só tira à noite. Durante o dia, eles vêm, mas fica aí”, diz.

Durante a entrevista, um carro da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) passou pelo local e seguiu. Depois, quando a equipe ia embora, os agentes de limpeza voltaram para recolher os resíduos. O fiscal da autarquia responsável pela área, Jerônimo Pereira da Silva, disse que a coleta é feita diariamente, a qualquer hora. “Só ontem [segunda-feira] o caminhão não removeu, pode ser que não tenham visto. É a primeira vez”, afirma. O supervisor acrescentou que os funcionários que não recolherem o lixo nas ruas sofrem advertência.

Na mesma rua, perto da esquina com a Conde da Boa Vista, outro buraco atrapalha a passagem de Cristiano Lopes de Lima, 31. Com a perna esquerda enfaixada desde que sofreu um acidente de moto, há dez dias, o estoquista usa muleta e passa sufoco. “Quando chove, alaga bastante, você tem que rodear. Se pegar uma pedra em falso, posso terminar quebrando a outra perna”, relata. Na Praça Maciel Pinheiro, Júnior Azevedo, que faz conserto de óculos na calçada da avenida Manoel Borba, contabiliza os prejuízos que sofreu por causa dos alagamentos. “Este ano é a quarta banca que eu boto. A gente vive de pinga-pinga para sustentar a família e fica numa situação ridícula dessas”, desabafa.

Emlurb
Por meio de nota, a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) informou que fará hoje uma vistoria nas ruas citadas para programar novos serviços de reparação. Sobre o acúmulo de lixo na Rua Sete de Setembro, a autarquia disse ainda que faz a coleta no local diariamente, no período noturno. Além disso, a via é varrida três vezes por dia, uma em cada turno.

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