Rodoviários paralisados na frente da empresa Caxangá
Rodoviários paralisados na frente da empresa CaxangáFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Motoristas e cobradores da empresa de ônibus Caxangá paralisaram as atividades na manhã desta quarta-feira (4). Liderados pelo sindicato, os rodoviários realizaram uma assembleia em frente à garagem da empresa, localizada no bairro de Peixinhos, em Olinda. 

Os profissionais protestaram contra a dupla função e discutiram reajustes salariais. A empresa em questão movimenta mais de 390 ônibus que fazem 54 linhas e transportam cerca de 180 mil passageiros diariamente. A assembleia foi finalizada por volta das 8h, quando a garagem foi aberta e os ônibus voltaram a circular normalmente.

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Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Aldo Lima, as assembleias setoriais, realizadas nas garagens das empresas, são realizadas a fim de mobilizar os trabalhadores pelas reivindicações. “Temos um cronograma, vamos fazer assembleias nas garagens e votar com os trabalhadores o nosso posicionamento em relação à dupla função. O acúmulo de funções é o maior retrocesso para o sistema de transporte público. Os rodoviários não aceitam dirigir e cobrar”, afirmou o sindicalista.

Na assembleia, os manifestantes também estipularam um prazo para a reintegração dos cobradores demitidos. “Caso as empresas não se manifestem, nós podemos, em decisão tomada por toda a categoria, estabelecer uma greve por tempo indeterminado”, afirmou. “É uma luta por melhorias no sistema. Uma luta conjunta entre a sociedade e os trabalhadores”, completou Aldo.

O ex-motorista Fernando Carneiro, 67, conta que foi um dos afetados pelas demissões causadas pela dupla função. Depois de ter executado o trabalho por 25 anos, Fernando foi afastado do serviço. “Não tem como uma pessoa executar as funções do motorista e do cobrador ao mesmo tempo. Além de atrasar muito, o acúmulo de função causa transtornos para os passageiros, que reclamam da demora, e para nós”, reclamou Fernando.

A paralisação afetou os passageiros que utilizam os ônibus da empresa Caxangá. No Terminal Integrado de Xambá, localizado no bairro de São Benedito, em Olinda, os portões amanheceram fechados. O vendedor Edson Mota, 57, chegou cedo e encontrou o terminal vazio. “Vou chegar atrasado no trabalho, algumas pessoas são prejudicadas, mas a reivindicação dos rodoviários é justa. Já peguei ônibus com o motorista fazendo a função de cobrador e foi uma dificuldade enorme pra embarcar”, disse o vendedor.

O porteiro Ronaldo Farias, 50, chegou no TI Xambá por volta das 5h para seguir em direção ao Espinheiro, bairro onde trabalha. Apesar do atraso, Ronaldo, que já trabalhou como cobrador, conta que “acha errado” o acúmulo de funções por parte do motorista. “Eles [os rodoviários] estão com razão. São trabalhadores como nós somos e, assim como precisamos de sustento, eles também precisam”, falou o porteiro.

O que diz a Urbana-PE
Em nota, a Urbana-PE, sindicato dos empresários, alega que não houve demissões de cobradores motivadas pelo alteração no procedimento de embarque. "Tem havido um esforço das empresas para capacitar os profissionais para serem aproveitados como motorista ou em outras funções. A mudança tem ocorrido segundo definição do órgão gestor, com consentimento do próprio Sindicato dos Rodoviários, conforme convenção coletiva da categoria, e dos operadores", diz o texto.

Rodoviários paralisados na frente da empresa Caxangá
Rodoviários paralisados na frente da empresa CaxangáFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco
Paralisação de rodoviários
Paralisação de rodoviáriosFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco
Paralisação de rodoviários
Paralisação de rodoviáriosFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

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