Filhotes de rato
Filhotes de ratoFoto: Pixabay

O Brasil já não registra mais surtos de microcefalia e zika, mas as chances de o país ter novas epidemias são reais e, para piorar, os vírus primos da zika também podem causar má-formação em fetos, segundo indica um novo estudo.

Os cientistas, a maior parte deles da Universidade de Washington, nos EUA, estudaram o impacto das infecções pelos flavivírus (mesmo gênero da zika ) da febre do Nilo ocidental (causada pelo vírus do oeste do Nilo) e do vírus powassan. Além disso, concentraram-se também na chickungunya e no vírus mayaro (os dois são alphavírus).

Em testes com camundongos, todas as arboviroses -ou seja, doenças que podem ser transmitidas por insetos- analisadas provocaram, em algum grau, infecções fetais.

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As complicações mais graves, como má-formação e até morte dos fetos, foram encontradas somente nos vírus do oeste do Nilo -cujo ciclo é entre os mosquitos Culex e pássaros, com humanos como hospedeiros eventuais- e no powassan -com ciclo entre o mosquito Ixodes e roedores, e também com pessoas como possíveis hospedeiros acidentais.

A infecção por esses flavivírus, contudo, foi considerada pelos pesquisadores como menos grave do que o documentado até o momento na zika.

Para garantir que a má-formação não fosse exclusiva nos roedores, os cientistas também fizeram testes in vitro com tecidos humanos. O resultado foi semelhante ao encontrado nos camundongos, com uma replicação viral eficiente.

Segundo os pesquisadores, "é provável que infecções por flavivirus resultem em complicações na gravidez e má-formações congênitas mais frequentemente do que o imaginado."

Já nos casos da chickungunya e do vírus mayaro, a replicação viral, mesmo ocorrendo, foi muito menos eficiente nos tecidos humanos.

O fato de não haver relatos e dados sobre possíveis más-formações associadas ao vírus do oeste do Nilo e ao vírus powassan poderia ser explicado, segundo os cientistas, por falta de cuidados médicos adequados.

"Esses casos podem passar despercebidos por conta de precários cuidados pré-natais disponíveis para mulheres em várias regiões do mundo afetadas por surtos de flavivirus", afirmaram os pesquisadores.

Contudo, deve-se ver com cuidados os resultados encontrados, considerando que, além de serem testes in vitro -ou seja, não se sabe realmente o que acontece a mulheres grávidas infectadas-, o material utilizado era proveniente de poucas pessoas, o que traz uma limitação quanto à idade gestacional e variabilidade genética das amostras.

A pesquisa foi publicado na tarde desta quarta (31) na revista científica "Science Translational Medicine".

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