Laringe eletrônica
Laringe eletrônicaFoto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

O dia 16 de abril não poderia ter um significado maior para os pacientes do Hospital de Câncer de Pernambuco. Laringectomizados, ou seja, após cirurgia de retirada da laringe devido a um câncer no local, dez pacientes se encontravam totalmente sem voz e sem esperança de voltar a falar novamente. No Dia da Voz, eles receberam a chamada laringe eletrônica: um aparelho amplificador de sons emitidos pela voz bucal.

Os pacientes que receberam o aparelho serão acompanhados por fonoaudiólogas para melhor adaptação. O equipamento, de uso externo, funciona como uma espécie de microfone, onde é colocado na região da garganta para melhor amplificar os sons emitidos pelo indivíduo.

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O oncologista Leonardo Arcoverde, especialista em cabeça e pescoço, descreve o funcionamento do aparelho, que exige acompanhamento de fonoaudiólogo. “Quando você tenta emitir uma fala sem voz, ela vibra na pele, que emite o mesmo som realizado na mímica labial”. O aparelho, no entanto, não é muito utilizado pelos pacientes do hospital por possuir um alto custo, entre R$ 1 mil a R$ 4 mil reais.

Com cerca de 4 mil cirurgias de vários tipos de câncer ao ano, segundo Leonardo, o trabalho das fonoaudiólogas do hospital é intenso. Quando o paciente perde a voz, ele passa por um processo de aprendizado para utilizar a voz que vem do esôfago. O método, que usa a voz esofágica, é o mais realizado no HCP, segundo a fonoaudióloga Ana Araújo. "Nos casos mais graves, o paciente, depois de descobrir o câncer, realiza o processo de laringectomia total, retirando assim o órgão e perdendo a voz da laringe", descreve. "O trabalho da fono é voltado para a comunicação, que é possível através de três métodos: a laringe eletrônica, a prótese traqueoesofágica e a voz esofágica. 

As pessoas que receberam a laringe eletrônica passaram pela cirurgia de retirada do órgão e não obtiveram sucesso no uso da voz esofágica. Esse, além da condição socioeconômica, foi um dos critérios para a escolha dos dez pacientes que receberam o aparelho eletrônico. A ação foi realizada através do projeto “Laringe Eletrônica: Uma Voz Possível!”, resultado da parceria entre a Associação Brasileira dos Portadores de Câncer (AMUCC) e a Associação Câncer Boca e Garganta (ACBG).

O Coral Ressonar, grupo de coral do HCP criado em 2013, é composto por pacientes que passaram pela cirurgia de remoção da laringe. Um dos componentes do grupo, Ronaldo Mendes Lima, 53, utiliza a laringe eletrônica e descreve como um alívio poder se comunicar novamente. Há quatro anos, ele passou pela cirurgia de laringectomia e há um ano adquiriu o aparelho. Até então, ele se comunicava (e cantava) pela voz esofágica e escrevendo. A fonoaudióloga Ana Araújo comenta sobre o uso do aparelho para os pacientes que estão ansiosos em voltar a falar, “por mais que voz seja mecânica, ele ajuda os pacientes que, por exemplo, não sabem escrever e se comunicam apenas através de mímica”.

Dia da Voz
A data, iniciada no Brasil, ganhou expressão internacional em 2003 e promove a conscientização da importância da voz e da sua saúde, prevenindo doenças futuras, como o câncer na laringe. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, 179 pessoas faleceram em 2017 devido ao câncer de laringe. A melhor prevenção encontra-se nos fatores de risco já conhecidos, como o álcool e o fumo. Além disso, consumir uma variedade de vegetais ajuda a diminuir o risco de câncer.

Dados de 2018 do Instituto Nacional de Câncer, o INCA, esse tipo de câncer representa 25% dos tumores malignos, atingindo a cabeça e pescoço. Em Recife, a estimativa para o ano de 2018 foi de 340 casos de câncer de laringe entre homens e mulheres.

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