Infectologista Filipe Prohaska
Infectologista Filipe ProhaskaFoto: Alfeu Tavares/Arquivo Folha

Pernambuco já está se articulando para traçar estratégias de bloqueio do coronavírus. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) encaminhou aos municípios e serviços de saúde locais boletins do Ministério da Saúde (MS) com informações sobre o vírus e com orientações para os profissionais.

A pasta também deflagrou ações de vigilância epidemiológica da doença, com o fluxo de notificação de possíveis casos junto à rede de saúde, além de discutir com especialistas na área um protocolo e fluxo de atendimentos nas unidades de referência para o acolhimento de um possível caso suspeito.

Com a possibilidade iminente de introdução do coronavírus no Brasil, a preocupação dos pernambucanos aumenta diante da aproximação do Carnaval, período que no Estado recebe grande número de turistas de dentro e fora do País. O alerta foi dado nesta terça-feira (28), após o MS confirmar que investiga três casos de pacientes que apresentaram sintomas compatíveis com os da doença, em Minas Gerais, no Paraná e no Rio Grande do Sul, e a classificação de risco do Brasil ser elevada para o nível 2, que significa "perigo iminente". O nível 3, que é o mais elevado, só é ativado quando há confirmação de casos transmitidos em solo nacional.

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Segundo o infectologista da Universidade de Pernambuco (UPE), Filipe Prohaska, o coronavírus não é novo e anteriormente já foram registrados casos na própria China, em 2002, e na Arábia Saudita, em 2012. "O que vemos agora é uma cepa diferente que nunca havia sido identificada. Comparado aos anteriores, a propagação tem sido bem mais rápida e o quadro tem vencido não só as barreiras de países, mas continentais. Enquanto o atual tem maior transmissibilidade, os antigos tinham maior letalidade", explicou, acrescentando que apesar de pertencer à mesma família, o vírus é um ser em constante mutação.

Coronavírus: como prevenir


Ainda não há vacina, nem medicamentos para o coronavírus. Por isso, o especialista destaca que a melhor forma de prevenção é evitar aglomerados, lavar bem as mãos e usar álcool em gel. Ele explica que os sintomas são muito similares aos de uma gripe comum. "Clinicamente, ele dá muito mais falta de ar e afeta os pulmões com mais intensidade quando comparado com o vírus da gripe comum. Ainda assim, a única forma de diferenciação é por exames específicos que identificam qual vírus está em atividade", acrescentou Prohaska. As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por contato, está ocorrendo.

Prevenção
Olinda, uma das cidades que mais recebe visitantes durante a folia de Momo, aguarda o plano de contingência que está sendo montado pela SES. De acordo com a gerente de vigilância epidemiológica do município, Priscila Machado, por ser um vírus de transmissão respiratória, ainda não há uma estratégia montada especificamente para o coronavírus. "Risco, o Brasil sempre tem porque as fronteiras são abertas. Vamos trabalhar pensando no Carnaval, mas estamos aguardando o plano da SES para podermos fazer o enfrentamento em conjunto", disse Priscila Machado.

Diante do cenário epidemiológico atual, o secretário de Saúde do Recife, Jailson Correia, convocou uma reunião sobre o assunto com gestores das áreas estratégicas da pasta para discutir providências municipais. Estão programados encontros com outras entidades para disseminar as informações e orientações do MS e alinhar a conduta dos profissionais na identificação e condução de possíveis casos.

"A Sesau também está tomando providências para disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras, luvas e outros insumos, além de estar preparando materiais informativos sobre o coronavírus para distribuição nas unidades de saúde e em locais de interesse público", detalhou em nota enviada à Folha.

 

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