Muitos candidatos acabam mudando por não terem alcançado nota suficiente e migram para outras graduações
Muitos candidatos acabam mudando por não terem alcançado nota suficiente e migram para outras graduaçõesFoto: Divulgação

Diante da grande concorrência para ingressar no ensino superior público, muitos candidatos que se inscrevem no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) acabam abrindo mão da primeira opção de curso por não terem alcançado nota suficiente, e migram para outras graduações, nem sempre desejadas.

É o caso do estudante Guilherme Silva, 21 anos, que sempre sonhou em cursar Direito na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mas por não ter obtido notas suficientes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), acabou optando pelo curso de Ciências Sociais na mesma universidade.

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“Eu faço preparatório para o Enem desde 2015, quando cursava o último ano do ensino médio. Minha classificação sempre ficou muito próxima da nota de corte e eu sempre colocava muita expectativa, mas acabava me frustrando. Então, no segundo semestre deste ano, mesmo sem me identificar, decidi entrar no curso de Ciências Sociais para garantir uma vaga”, explicou Guilherme, que ainda continua se preparando por meio de cursinhos para o exame em novembro. “Não vou desistir. Sinto que direito é uma vocação e que vou conseguir”, afirmou.

Assim como ele, Luiz França, 21, também passou pela mesma situação. Ele sempre quis cursar Medicina, e desde 2014 faz cursinhos preparatórios para o Enem, mas ainda não alcançou notas suficientes para entrar no curso que tanto quer. Diante das tentativas frustradas, Luiz acabou deixando Medicina em segundo plano e começou a cursar Enfermagem dois anos depois. “Foi um divisor de águas na minha vida porque percebi que realmente me encontro na área de saúde. Hoje, eu gosto muito do meu curso, ele me dá muito orgulho”, contou. “A pesar de ter me identificado na Enfermagem, meu objetivo é ser médico. Eu faço o Enem todos os anos e minhas notas têm melhorado bastante. Sei que o meu dia vai chegar”, completou.

Raíssa Barbosa, 21 anos, sempre quis cursar Engenharia Elétrica, mas, pela insegurança diante da nota, resolveu que Pedagogia seria a segunda opção e acabou passando. “Foi muito estranho para mim porque eu nunca tinha pensado em fazer esse curso”. Mesmo depois de iniciar a graduação, ela não desistiu do curso que realmente queria. “No ano seguinte, me inscrevi no Sisu e passei em Engenharia Elétrica na Universidade Rural de Pernambuco (UFRPE), e agora faço o que realmente gosto”, contou.

Segundo a pedagoga Valéria Oliveira, para evitar frustrações, o ideal é que o aluno tenha sempre mais de uma opção. “Isso não quer dizer que ele tem que desistir do curso que deseja, mas que ele pode tentar descobrir outros caminhos, pois a insistência por determinada área pode se perdurar por muito tempo, causando traumas ainda maiores. Algumas pessoas colocam tanta expectativa no curso que gostam que, às vezes, acabam se frustrando quando lidam com a prática dele. É necessário cautela.”

Ainda segundo ela, a escolha pela profissão vem sendo feita cada vez mais precocemente entre os jovens. “Têm adolescentes que aos 15 anos já estão na faculdade. Muitas vezes, por falta de maturidade, acabam se precipitando e escolhendo determinado curso pelo status ou por influência de outras pessoas”, afirmou. “A dica é pesquisar, procurar a grade curricular dos cursos e perceber se existe identificação e afinidade com a graduação escolhida para evitar futuras evasões.”

Psicóloga Valéria Oliveira aconselha ao fera ter sempre mais de uma opção

Pedagoga Valéria Oliveira aconselha ao fera ter sempre mais de uma opção - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco


 

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