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Saúde

Nova diretriz de sociedades médicas diz que não basta apenas o IMC para definir a obesidade

Documento será apresentado durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em São Paulo

Obesidade - Documento ressalta que o grau de risco para problemas cardiovasculares varia entre indivíduosObesidade - Documento ressalta que o grau de risco para problemas cardiovasculares varia entre indivíduos - Foto: Pixabay

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), junto à Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e Academia Brasileira do Sono (ABS), lançaram nesta sexta-feira (19) novas diretrizes sobre o tratamento da obesidade para prevenção cardiovascular.

O documento, apresentado durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em São Paulo, ressalta que o grau de risco para problemas cardiovasculares varia entre indivíduos e, por isso, deve ser medido por ferramentas clínicas de forma individual.

— A obesidade afeta hoje 1 bilhão de pessoas no mundo e cerca de 31% da população brasileira, segundo dados da World Obesity Federation ainda desse ano. Para 2030 a 2050, o crescimento global permanece exponencial — ressalta a endocrinologista Cynthia Valério, diretora da ABESO e uma das coordenadoras das novas diretrizes.

De acordo com a nova orientação, será avaliado o risco cardiovascular de pessoas entre 30 e 79 anos diagnosticadas com sobrepeso ou obesidade. Além disso, pessoas com índice de massa corporal (IMC) inferior a 40, mesmo sem doença cardiovascular prévia, também serão avaliadas pelo escore PREVENT.

— Nós propomos que, além do peso corporal, sejam levados em consideração outros dados importantes do paciente, como pressão, perfil lipídico, índice de glicemia. Esses dados são colocados na calculadora PREVENT, um software feito pela The American Heart Association (Associação Americana do Coração). Com ele, conseguimos dizer quais são os riscos dessa pessoa sofrer um infarto ou AVC em até 10 anos — explica Valério.

Então, a partir dos resultados mostrados pela calculadora, o médico consegue dizer se o paciente apresenta risco baixo, moderado ou alto para eventos cardiovasculares, além da categoria de alto risco específico para insuficiência cardíaca.

— O diferencial da nova diretriz, em relação ao que está sendo recomendado na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, é que trazemos essa ideia de que todas as pessoas diagnosticadas com obesidade precisam passar por uma examinação de risco de ter problemas cardiovasculares — aponta.

Segundo o novo documento, para pacientes com obesidade, especialmente com IMC acima de 35, o ponto de corte que deve acender um alerta para risco de insuficiência cardíaca, observado por meio de marcadores como NT-proBNP ou BNP (que indicam que o coração pode estar fazendo esforço) é de 50 pg/mL.

Em pessoas sem obesidade, o valor de NT-proBNP que indica atenção é acima de 125 pg/mL.

O tratamento de redução de peso será guiado por números. Em casos menos graves, é recomendado que o paciente tenha uma redução de pelo menos 5% do peso. Já em riscos alto a moderado, a perda indicada passa para 10%.

Canetas emagrecedoras
Por isso, segundo Valério, os médicos são aconselhados a recomendar tratamentos modernos que apresentem uma alta eficácia, como a semaglutida, substância ativa presente no medicamento Ozempic, e a tirzepatida, do Mounjaro, para casos com chances altas de desenvolver problemas cardiovasculares.

— Não podemos ignorar medicamentos que têm benefícios. A gente entende de forma imediata que não vai ser tão plausível de forma geral, devido ao alto custo desses remédios, mas que a gente considera que é apenas um primeiro passo. Foi tendo em vista escolher a melhor forma de tratar quem realmente está sob risco — pontua.

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