Nova perícia pode mudar Caso Betinho

Análise da digital do acusado feita pela PF teria resultado distinto da anterior, realizada por peritos estaduais; Caso terá sessão nesta sexta-feira (26)

Edifício Módulo, na Boa VistaEdifício Módulo, na Boa Vista - Foto: Arquivo/Folha de Pernambuco

A busca por punição aos responsáveis pela morte do pedagogo José Bernardino da Silva Filho, o Betinho do Agnes, ocorrida há dois anos, pode ter uma reviravolta nesta sexta-feira (26), durante mais uma audiência de instrução do caso. A informação extraoficial é de que uma nova perícia feita pela Polícia Federal (PF), a pedido da Justiça, teve resultado diferente do apontado pela Polícia Científica de Pernambuco, o que pode fazer o processo retroceder vários degraus.

As conclusões do exame serão expostas durante a sessão, que ocorrerá às 13h, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, no Recife. Ademário Gomes da Silva Dantas, 21 anos, é acusado pelo crime. Ele estudava no colégio particular em que a vítima trabalhava e, segun­­­do a Polícia Civil, teve parte de sua impressão digital achada dentro de uma cômoda do apartamento de Betinho, no Edifício Módulo, na avenida Conde da Boa Vista.

A nova perícia, feita pelo Instituto Nacional de Identificação (INI) da PF, buscou confrontar o vestígio e a digital do acusado. O material foi entregue ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) na última quarta-feira, mas o advogado do réu, Jorge Wellington Lima de Matos, disse à Folha, ontem, que ainda não sabia de seu teor.

Conforme o tribunal, o resultado só chegará ao conhecimento das partes na audiência e, então, poderá ser avaliado ou contestado nos autos. Por supostamente ser distinto das conclusões da Polícia Científica, que colocavam Ademário Gomes na cena do crime, o novo conteúdo deve beneficiar o jovem. “Como é que o acusam a partir de um único fragmento, mesmo havendo digital de outra pessoa em todos os locais do imóvel? Ninguém no prédio o viu, ninguém o conhecia. A perícia dos papiloscopistas do Estado tem muitas impropriedades”, disse Matos.

A defesa chegou a contratar um perito particular, que contestou o resultado da polícia estadual. A partir disso é que a Justiça deferiu que fosse feito o confronto da prova por peritos federais. O advogado também conseguiu que o TJPE determinasse a convocação da delegada Alcilene Marques, que estava de plantão e atendeu à ocorrência no dia do crime, e do perito Tadeu Moraes Cruz. Ambos serão ouvidos na sessão de hoje. O caso, porém, foi investigado pelo delegado Alfredo Jorge, que indiciou, além de Ademário, outro aluno do colégio particular que teve digitais encontradas no ferro de passar usado para desferir golpes na cabeça da vítima.

Como ele tinha 17 anos na época, o processo que o inclui é outro e não será alvo da sessão das próximas horas. A Justiça ainda determinou que imagens de câmeras da escola e do prédio onde houve o delito sejam juntadas ao caso e avaliadas pelo Instituto de Criminalística do Estado para checagem de eventuais adulterações.
Entre familiares de Betinho, o sentimento é de apreensão com o andamento do caso. “Já faz dois anos que ocorreu e, até hoje, ninguém resolveu nada. Mas a gente ainda tem esperança de que esse processo chegue, finalmente, a uma conclusão”, afirmou o irmão da vítima, Sílvio Pereira.

Betinho, na época, com 49 anos, foi morto na noite de 16 de maio de 2015. O corpo foi achado nu, com os pés amarrados e com fios enrolados no pescoço. A causa da morte foi traumatismo crânio-encefálico. A motivação do crime nunca ficou clara.

Relembre o caso

16 de maio/2015

José Bernardino da Silva Filho, na época com 49 anos, foi morto durante a noite, dentro de seu apartamento, no Edifício Módulo, no Centro do Recife. Seu corpo foi encontrado nu e com ferimentos na cabeça causados por golpes com um ferro de passar. Ele também tinha os pés amarrados e fios enrolados ao pescoço. O caso foi descoberto na manhã do dia seguinte.

18 de maio/2015

Depoimentos de testemunhas e funcionários do prédio indicavam que a vítima costumava levar garotos de programa ao apartamento, o que levou a Polícia Civil a investigar a possibilidade de crime com cunho sexual. Um jovem que encontrou o corpo, além de outro rapaz, chegaram a ser ouvidos e reconheceram que frequentavam o imóvel, mas para consumir drogas com a vítima.

2 de junho/2015

Pela primeira vez, a Polícia Civil declarou que dois alunos do colégio particular onde a vítima trabalhava, um deles, Ademário Gomes, eram sus­­peitos do homicídio. Tinham si­­­do achadas digitais dos dois no fer­­ro de passar e numa cômoda do apar­­tamento. Na época, o pai de Ade­­mário e diretor da escola ne­­gou participação do filho no caso em entrevista exclusiva à Folha.

30 de setembro/2015

O delegado Alfredo Jorge, da Polícia Civil, concluiu o inquérito e indiciou os dois estudantes por homicídio qualificado. Ainda foi indi­­cia­­da, só que por falso testemunho, uma frequentadora da igreja onde o pai do acusado é pastor. Ela teria dito, em depoimento, que ouviu outras duas pessoas afirmarem que haviam matado Betinho. Os jovens indiciados foram denunciados à Justiça.

10 de março/2017

Depois de entrar na fase de audiências de instrução em 2016, o proces­­so chegou a um estágio decisivo quando a defesa de Ademário Gomes teve deferidos pedidos pela realização de um confronto pericial acerca da digital encontrada na cômoda, desta vez, pela Polícia Federal, além da inclusão no processo de imagens de câmeras da escola e do prédio onde houve o crime.

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