Novo secretário da SDS enfrenta desafio de conter crimes e paralisações

Paralisação dos delegados da Polícia Ci­vil, na quinta-feira, será par­te de uma mobilização por melhores salários

Link PerdidoLink Perdido - Foto: Reprodução/ Adorocinema

Há pouco mais de uma semana no cargo, o secretário de Defesa Social, Angelo Gioia, começa a anunciar as primeiras ações. Para conter os homicídios, que já somam 3.361 casos neste ano, pretende manter oito equipes investigando só esse tipo de crime.

Medidas que aumentem o efetivo nas ruas também são previstas. Ao mesmo tempo, movimentos de servidores se mostram um desafio para o novo gestor. Delegados anunciaram uma paralisação de 24 horas para quinta-feira (20), mesmo dia em que os demais policiais civis decidem se entram em greve. Na sexta (21), o tema será discutido em reuniões. Governo e sindicatos têm pressa. Sabem que chegar a um consenso sobre tais demandas é um dos caminhos para colocar a segurança pública de volta nos trilhos.

A paralisação dos delegados da Polícia Ci­vil, na quinta, será par­te de uma mobilização por melhores salários. Com isso, só serão realizados procedimentos de flagrantes nas delegacias. Boletins de ocorrência, depoimentos e investigações vão ficar suspensos. O protesto foi decidido em assembleia da categoria na terça-feira (18), oportunidade em que a classe também iria votar pela realização ou não de uma greve que poderia começar ainda esta semana. A apreciação da parada por tempo indeterminada foi adiada depois que o Governo do Estado marcou uma negociação com os delegados na próxima sexta-feira.

Uma nova assembleia está agendada para o dia 25, quando se discutirá a contraproposta da gestão.

“A greve traz muitos prejuízos para sociedade. Queremos esgotar as possibilidades de negociação antes disso. Por isso, a categoria decidiu esperar até essa conversa com o Governo”, disse o presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (Adeppe), Francisco Rodrigues. Na pauta de reivindicações, estão a valorização da carreira e o reenquadramento no Plano de Cargos, Carreiras e Salários. São quase 400 delegados na ativa, que, de acordo com Rodrigues, amargam os salários mais baixos do País para a categoria - cerca de R$ 6 mil para início de carreira. “Estamos sem reajuste salarial desde 2014 e a inflação devorando os salários”.

A proposta da Adeppe é que haja uma fusão de gratificações que sejam incorporadas ao salário, de forma que o teto dos delegados possa chegar ao que a associação aponta como rendimento médio nacional, R$ 25 mil. O abono em questão é o de função policial, que é de 225% do vencimento base. “Estamos ganhando como nível médio, mas os delegados são ocupantes das carreiras jurídicas”, justificou. Além da questão financeira, os delegados reclamam da falta de estrutura para realizar seu serviço, das viaturas sucateadas, de coletes balísticos vencidos, de delegacias em péssimo estado de conservação e até da falta de material de expediente e limpeza. A Secretaria Estadual de Administração preferiu não se pronunciar sobre a paralisação dos delegados porque não teria sido informada formalmente.

Já os agentes da Policia Civil haviam realizado uma paralisação de 24 horas na última quinta-feira e amanhã, farão passeata pelas principais ruas do Centro do Recife, a partir das 9h. “Só vamos recuar da greve se houver um posicionamento concreto sobre o Plano de Cargos e Carreira. Quando chegarmos ao Palácio (do Campo das Princesas), não queremos ouvir mais promessas, até porque as que já foram feitas foram descumpridas”, afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Áureo Cisneiros.

 

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