RUSSIA X UCRÂNIA

Novos bombardeios no leste da Ucrânia aumentam temor de invasão russa

Os anúncios de retirada parcial da Rússia, com imagens de trens transportando tanques, não convencem os países ocidentais

Estragos deixado pelas bombas em uma residência no leste da UcrâniaEstragos deixado pelas bombas em uma residência no leste da Ucrânia - Foto: Aleksey Filippov / AFP

O leste da Ucrânia foi cenário de novos bombardeios, nesta sexta-feira (18), com direito a troca de acusações entre o Exército de Kiev e separatistas pró-Rússia, o que aumenta a tensão na região e, aos olhos dos países ocidentais, os riscos de uma invasão russa.

O som das bombas era ouvido em Stanytsia Luganska, cidade ucraniana sob controle das forças do governo, perto da linha de frente.

As autoridades ucranianas, que na quinta-feira informaram o bombardeio de uma creche na mesma região - que não deixou vítimas -, relataram 20 violações do cessar-fogo por parte dos separatistas pró-Rússia. Os insurgentes, por sua vez, citaram 27 disparos do Exército ucraniano nas últimas horas.

O aumento dos combates nesta região em conflito desde 2014 acontece em plena escalada das tensões entre a Rússia e os países ocidentais, que acusam Moscou de ter enviado dezenas de milhares de soldados para a fronteira com a Ucrânia, com a intenção de invadir o país vizinho.

A Rússia nega os planos bélicos e, desde terça-feira (15), anunciou uma série de retiradas de tropas na fronteira. A Ucrânia afirma que o Kremlin mantém 149.000 soldados na região.

Os anúncios de retirada parcial, com imagens de trens transportando tanques, não convencem os países ocidentais.

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, afirmou que Washington continua observando mais tropas russas em deslocamento na direção de áreas de fronteira com a Ucrânia.

"Embora a Rússia tenha anunciado que está transferindo suas tropas de volta para os quartéis, ainda não vimos isso. De fato, observamos mais tropas se movimentando para esta região, esta região de fronteira", disse Austin em Varsóvia, ao lado do ministro polonês da Defesa, Mariusz Blaszczak.

"Treinamento regular"

Com as atenções do mundo inteiro voltadas para o próximo passo de Vladimir Putin, a Rússia anunciou que fará, no sábado, manobras de suas "forças estratégicas", incluindo disparos de mísseis balísticos e de cruzeiro.

De acordo com o Ministério russo da Defesa, o objetivo dos exercícios é "testar o nível de preparação" das forças envolvidas e a "confiabilidade das armas estratégicas nucleares e não nucleares".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, garantiu que se trata de um "treinamento regular", o qual foi "notificado a diversos países por vários meios". Segundo ele, as manobras serão supervisionadas pelo presidente.

Esta sexta-feira (18), Putin recebeu o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, país com o qual a Rússia também executa exercícios militares conjuntos.

Em um cenário de extrema tensão, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e vários chefes de Governo ocidentais terão uma reunião por videoconferência, também nesta sexta-feira, para falar sobre a crise.

Segundo fontes europeias, a reunião terá as participações da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg; e dos governantes de Alemanha, Polônia, Itália, Romênia, Reino Unido e França.

E, na próxima quinta-feira (24), os chefes de Estado ou Governo do G7 se reúnem por videoconferência para abordar o tema.

Pretexto para uma invasão

As violações do cessar-fogo no leste da Ucrânia aumentam o temor do Ocidente de um suposto "pretexto" para uma invasão russa. Desde 2014, esta região é palco de um sangrento conflito, no qual mais de 14.000 pessoas morreram e mais de 1,5 milhão tiveram de abandonar suas casas.

Os acordos de paz assinados em 2015, em Minsk, permitiram instaurar um cessar-fogo e reduzir consideravelmente os confrontos. Com a nova escalada militar, analistas temem, porém, que a Ucrânia reaja de maneira violenta e que isto seja usado pela Rússia como justificativa para invadir o país.

Para o Kremlin, "o que acontece (na região de) Donbas é muito preocupante e potencialmente muito perigoso", declarou o porta-voz Dmitri Peskov.

A Ucrânia descartou mais uma vez a possibilidade de uma ofensiva nos territórios separatistas.

"Reforçamos nossa defesa. Mas não temos a intenção de executar nenhuma ofensiva contra estes territórios", declarou o ministro ucraniano da Defesa, Oleksiy Reznikov, no Parlamento.

"Nossa missão é não fazer nenhuma das coisas que os russos estão tentando nos provocar a fazer", disse. "Temos que detê-los, mas manter o sangue frio", completou.

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