Novos tratamentos para o câncer de próstata

Acredita-se que um em cada seis homens terá este diagnóstico no decorrer da sua vida. Felizmente, a sua evolução é, na grande maioria dos casos, pouco agressiva.

Spok Frevo QuintetoSpok Frevo Quinteto - Foto: Divulgação

 

O tumor prostático é o câncer mais prevalente no sexo masculino. Estatísticas americanas apontam que só neste ano serão diagnosticados cerca de 250 mil novos casos da doença. Essa patologia é muito mais frequente entre os idosos com mais de 65 anos de idade. A sua existência antes do término da quarta década de vida é bastante rara.

Acredita-se que um em cada seis homens terá este diagnóstico no decorrer da sua vida. Felizmente, a sua evolução é, na grande maioria dos casos, pouco agressiva. Calcula-se que hoje existam 2.500 milhões de americanos com este diagnóstico e que permanecem vivos. Algumas estatísticas demonstram que a sobrevida é de mais de 95% dez anos depois da sua descoberta. Assim, a maioria dos portadores morre com ele, mais não dele.

Nos últimos anos, autoridades de saúde de diversos países modificaram a idade em que os homens devem iniciar a avaliação médica da próstata. A avaliação, segundo esta orientação, não mais deve ser desde os 40, mas só a partir dos 50 ou 55 anos de idade.

Esta resolução se baseou em que a avaliação precoce não mostrou benefícios importantes em termos da evolução e mortalidade pela doença. E por outro lado, ensejou a realização de medidas terapêuticas muitas vezes desnecessárias, e que podem causar efeitos colaterais extremamente desagradáveis. Incontinência urinária e dificuldade ou abolição da ereção estão entre elas.

O tratamento da doença, quando do diagnóstico o tumor é localizado, resume-se na maioria dos casos. Alguns outros pacientes são tratados com radioterapia. 

Considerando-se que os hormônios masculinos têm uma ação estimulante sobre as células do tumor, realizava-se, antigamente, após sua remoção também a castração cirúrgica. Tal procedimento foi abandonado para estes tipos de casos, por vários motivos.

Pois além do grande trauma psíquico que provocava nos pacientes, não demonstrou melhoria na evolução, comparado com apenas a remoção da próstata. Ademais, a castração leva obviamente a um déficit hormonal. Isto, por sua vez, acarreta repercussões extremamente negativas.

Osteoporose, obesidade, diminuição ou abolição da libido e aumento da mortalidade, etc. Porém, nos ca­sos graves, quando o tumor se expandiu promovendo metástases, o bloqueio da produção de testosterona se impõe.

Hoje não mais se realiza a remoção dos testículos, mas se impede a secreção da testosterona por eles, utilizando-se uma medicação injetável a cada três meses. Ela impede que a hipófise secrete os hormônios que estimulam o funcionamento dos testículos. Sem estímulo, a produção hormonal testicular deixa de existir.

Além disso, costuma-se também utilizar antagonistas dos receptores de hormônio masculino no nível dos tecidos. Em mais de 80% dos casos, existe uma boa resposta à terapêutica. No entanto, infelizmente depois de alguns anos, vários casos deixam de responder a este bloqueio. E por que isto ocorre?

Verificou-se que células tumorais adquirem a capacidade delas próprias produzirem hormônios. Elas fazem isso transformando hormônios masculinos fracos, produzidos pelas glândulas adrenais, em testosterona. Por conta disso, pesquisadores estão utilizando uma droga, a abiraterone, que bloqueia a produção desse hormônios pelas adrenais. Sem matéria-prima, o tumor deixa de produzir a testosterona. Um outro recurso terapêutico foi a descoberta de um novo e potente bloqueador da ação dos hormônios masculinos nos tecidos, a enzalutamide. Estas novas drogas deverão melhorar ainda mais o prognóstico do câncer da próstata.