O chocolate e a Páscoa (1ª parte)

Mousse é uma das receitas mais tradicionais com o ingredientes

Receita clássica pode ser preparada toda no liquidificadorReceita clássica pode ser preparada toda no liquidificador - Foto: Da editoria de Arte

Neste tempo de Páscoa os chocolates estão por toda parte. De que é feito esse chocolate? Porque ele virou um dos símbolos da Páscoa? Nesse, e nos próximos artigos, vamos tentar responder a essas perguntas. Para começar, lembrar que ele é feito a partir das sementes do cacau. A árvore é originária da América Central. Vive mais de 100 anos. Delicada, frágil até, pede solo fértil e chuvas regulares. Cresce até 12 metros. Aprecia sombra de árvores maiores. Folhas, verde escuras e brilhantes, vão a 40 cm.

Flores pequenas, brancas ou rosa claro, brotam dos galhos e do próprio tronco. Frutos, esverdeados ou amarelados (dependendo do grau de amadurecimento), chegam a 25 cm. de comprimento. Semente, cerca de 50 por fruto, se misturando a uma polpa viscosa e esbranquiçada. As mais caras, usadas na fabricação dos melhores chocolates, são do tipo criolla ou arriba - de sabor fino e delicado, nativas da própria América Central. A seguir vêm as forasteira - de sabor mais forte e amargo, produzida no Brasil e na África. Havendo ainda umas híbridas, de qualidade inferior.

Diz a lenda que o deus asteca Quetzacoaltl, a “serpente emplumada”, subiu aos céus em direção às estrelas. Tendo o cuidado de deixar o cacahuaquchtl (a árvore do cacau), de presente para seu povo. Olmecas (200 a.C.), primeiros habitantes a ocupar a região do golfo do México, foram os primeiros a usar suas sementes. Para eles era apenas remédio de curar quase tudo - dor, inchaço, queimadura, ferida e sobretudo tristeza.

O imperador asteca Montezuma II (1466-1520) recebia seus convidados no palácio de Axayacatl com dança, música, incenso, flor e comida farta - galinha, peru, pombos, patos selvagens, coelhos, lebres, pássaros, perdizes, codornas, frutas, tortillas. E também, uma bebida sagrada, servida fria e em taças de ouro, o mesmo ouro que decorava generosamente o seu palácio. Essa bebida era o xocoatl ou cacauatl (água amarga), preparada com as sementes do cacahuaquchtl misturadas com baunilha, farinha de milho, corante, pimenta mel e flores secas. Tinha poderes de salvar e ressuscitar.

Era privilégio de poucos - sacerdotes (por ser fonte de sabedoria espiritual), guerreiros (por lhes conferir vigor no combate) e nobres (por ser afrodisíaca). O próprio Montezuma a tomava “até 50 vezes por dia antes de encontrar as esposas”, segundo Bernal Dias del Castillo (em Historia Verdadera de la Conquista de Nueva Espana), que acompanhou o espanhol Hernan Cortés, em 1519, em sua viagem à América.

O fim dessa história é bem conhecido. Montezuma foi morto pelos espanhóis. A cidade de Tenochtitlán (atual México) destruída e os tesouros levados à Espanha - inclusive aquelas sementes sagradas que, no velho mundo, passaram a ser conhecidas como cacau. Seu nome científico Theobroma cacau é homenagem a essas origens - posto ser theobroma, em grego, alimento dos deuses.
(Continua no próximo sábado)

RECEITA: MOUSSE DE CHOCOLATE
INGREDIENTES

6 ovos inteiros
7 colheres de sopa de açúcar
7 colheres de sopa de chocolate em pó
1 tablete de manteiga
1 colher de sopa de uísque

PREPARO

• A mousse é toda preparada no liquidificador. Mas, atenção, todos os ingredientes, quando colocados, devem ser muito bem batidos
• Comece batendo, bastante, os ovos inteiros.
• Junte açúcar e bata mais ainda
• Junte chocolate em pó, manteiga e uísque. Bata bem
• Coloque para gelar 1 hora no congelador. Depois na geladeira

*É especialista em Gastronomia e escreve semanalmente neste espaço