O desafio de manter as crianças ocupadas nesse período de quarentena
Especialistas dão dicas de atividades lúdicas e físicas para distrair os pequenos durante o isolamento
Em tempos de reclusão social, em que todos ficam em casa, ocupar o tempo tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil. O tédio tem tomado conta, e o dia a dia monótono pode despertar uma irritação, principalmente nas crianças. Distraí-las com atividades diferentes das quais elas estão acostumadas, mas sem modificar completamente a rotina é grande desafio.
Rafael Sobral, 38, é motorista de caminhão. Ele está de férias e tem passado o dia inteiro com a filha Laís, de 11 anos. “Laís é uma criança muito agitada, mas a gente tem buscado ocupar o tempo dela com atividades da escola, brincadeiras, filmes e até mesmo em algumas atividades domésticas”, contou Rafael. Nos últimos dias, Laís recebeu algumas atividades da escola, como exercícios e pesquisas. “Essas tarefas vieram no momento certo. Todos os dias, a gente senta junto para cumprir os deveres da escola”, continuou.
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Rafael mora com a esposa, Dina Sharley, que é a mãe de Laís. Eles contam que tem mantido a rotina de acordar, comer e principalmente dormir. Uma preocupação do casal é não deixar com que a criança passe muito tempo no celular e variam as brincadeiras com jogos, como banco imobiliário, caça-palavras, leitura de livros, entre outras atividades. “Nós confeccionamos o jogo de dama. E foi muito bom, porque só nele já foram duas atividades, a de criar um brinquedo e depois a de brincar com ele”, relatou Rafael. “No período da tarde, Laís costuma ficar um pouco mais agitada. Esses dias, colocamos ela para caminhar na esteira aqui de casa, para gastar energia de fato”, brincou.
Despertar o interesse das crianças em atividades que prezam pela aprendizagem é uma boa dica neste período de quarentena. As atividades devem sempre permear a ludicidade e a aprendizagem significativa das crianças, é o que diz Diorge Santos, especialista em Psicopedagogia e também mestre em Educação. “O importante do trabalho com a ludicidade para crianças é justamente porque o lúdico é uma ferramenta que auxilia na aprendizagem das mesmas, possibilitando com que elas explorem ambientes, obedeçam regras, interajam com seus pares e, desse modo, agreguem valor à sua vida”, explica. O especialista lembra que a música é uma ferramenta importante e que não deve ser deixada de lado. “A música auxilia no desenvolvimento da expressão e da consciência corporal da criança. Ela pode ser trabalhada de diversas maneiras e também em vários ritmos, partindo da música clássica até o hip-hop, comentou.
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Mariluce Serafim, pedagoga e pós-graduada em psicopedagogia, conta que o dia a dia pode ser recheado de atividades simples e fáceis de serem realizadas. “Pinturas, contação de histórias, recortes e colagens. Também é muito positivo estimular as crianças a cuidarem dos animais que têm em casa ou a plantarem e cuidarem das plantas”, elenca. Ela também esclarece que é preciso explicar para as crianças o que está acontecendo, o real motivo de precisar estar e permanecer em casa, de precisar cuidar dos avós, de não poder sair. “Explicar o porquê das coisas auxilia na compreensão das crianças e as deixam menos inquietas”, diz. Ainda segundo a pedagoga, esse tipo de diálogo também aproxima os pais dos filhos, estimulando a intimidade entre eles. "Se aproximar mais dos filhos, conversar e brincar de fato é algo que pode ser muito positivo para o convívio nessa época. Os filhos se sentem mais seguros, principalmente quando brincam com os pais", complementa.
Mariluce explica ainda que existem atividades específicas para cada fase de desenvolvimento dos pequenos. “Para crianças mais novas, até os três anos, é indicado atividades que desenvolvem a psicomotricidade. Pular nos quadrados da cerâmica e brincar de elástico são atividades que ajudam nesse aspecto. Dos quatro aos cinco anos, atividades como pintura, recorte, desenhos e cores ajudam a desenvolver a criatividade", exemplifica.
Além de exercícios que explorem o aspecto lúdico, atividades motoras também são importantes. De acordo com o bacharel em Educação Física Gabriel Soares, “atividades que mesclam aspectos físicos e cognitivos auxiliam no desenvolvimento do raciocínio, da atenção, da percepção, do tempo de reação, da velocidade, entre outros fatores”, esclarece.
Entre as atividades que podem ser realizadas em casa com poucos materiais está o jogo da velha humana. “São necessárias, no mínimo, duas pessoas. Basta marcar a cerquilha — também conhecida como jogo da velha — grande no chão. Essa marcação é feita com duas linhas verticais e paralelas, que pode ser com cabo de vassoura ou fita adesiva. Cada jogador deve ter três objetos, pode ser desodorante, livros, copos, etc. Um por vez, cada um deve colocar um objeto dentro do espaço marcado, e o objetivo final é completar a trinca, assim como no jogo da velha de papel comum”, explicou Gabriel.
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