O desprezo à ciência
A iniciativa de retirar quase todos os recursos disponibilizados para a pesquisa cientÍfica no País evidencia o mais completo desprezo pela ciência e seu desenvolvimento, condenando todos nós ao retorno às cavernas pré-históricas.
A inusitada e absurda decisão torna desnecessária qualquer tipo de investigação para apurar as razões que levaram a recomendação do “tratamento precoce à pandemia” e suas nefastas consequências, vez que ficou clara a adoção do negacionismo como dogma, à revelia de qualquer aspecto civilizatório e humanitário.
A gravidade dessa constatação é tamanha que chega a amedrontar com o que ainda pode advir para todos nós, vítimas passivas, declaradas inimigas sem o direito de saber por que fomos condenados ao pior dos castigos de inquisição medieval.
É absolutamente estarrecedora a coleção de aberrações, formatadas como manifestações histriônicas de olhos esbugalhados, injetados de ódio e rancor, como fera ensandecida, rotuladas com a chancela oficial, sem qualquer tipo de receio ou comedimento para com a reação da sociedade perplexa e indignada.
É inacreditável que em pleno século XXI estejamos assistindo num País tido como civilizado, da importância global, econômica, política e social como o Brasil, tamanha e esdrúxula situação.
Ficou claro que para acelerar o diabólico processo, decidiram que ao invés da aversão à saúde, à educação, à cultura, à ecologia, melhor seria colocar tudo num saco só e jogar no lixo da história.
Não estávamos entendendo a estratégia de marketing que vem sendo praticada, mas agora descobriu-se de forma cabal que a máxima que vem sendo praticada é a do “barco perdido bem carregado”. Sendo assim, pra que perder tempo com isso ou aquilo, se podem liquidar vários coelhos com uma só cajadada.
A batalha que vem sendo travada pela expectativa de um segundo tempo para o alcance dos objetivos, nos dá a impressão de que é possível esperar coisa ainda pior, passando por cima da ética, da moral, da lógica, da democracia, do estado democrático de direito e de tudo o mais que pareça minimamente justo e razoável, para alcançar, custe o que custar, o referido objetivo, divorciado do espírito público, que deve nortear o destino das sociedades.
Os cidadãos e as instituições estão perplexos com o que vem ocorrendo no País. Até mesmo os acometidos pelo deslumbramento que a história lhes permitiu, com certeza estão temerosos de que o sonho pode se transformar num verdadeiro fenômeno de massa, filme que a humanidade já assistiu e jamais esperava ver repetir-se, tendo como coadjuvantes a fome, o desespero e, de quebra, uma pandemia.
Que Deus nos acuda! Ainda que tarde, mas alimentando a certeza de que não nos faltará, no destino da Pátria amada desarmada de conceitos e preconceitos sem pé nem cabeça, armada de palavras na busca da convergência, do entendimento, do diálogo, dispensando fuzis e pistolas de ultima geração.
*Consultor de empresas
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