O equilíbrio entre o uso de suplementos e a boa alimentação

Especialista explica a diferença entre uso de suplementos e o consumo de frutas, hortaliças e grãos e a relação com a absorção das vitaminas

Guga Valença recorreu à suplementação manipulada após consultar o nutricionistaGuga Valença recorreu à suplementação manipulada após consultar o nutricionista - Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Em meio à rotina cada vez mais agitada do dia a dia, tem sido comum a falta de cuidado com uma alimentação rica, que contenha todas as propriedades necessárias para o equilíbrio do corpo humano. Em consequência disso, tem crescido o número de fast-foods espalhados nas grandes cidades. Com destaque, farmácias exibem, a cada esquina, suplementos que prometem auxiliar na perda ou ganho de peso, além de complexos de vitaminas que podem - e deveriam - ser absorvidas no consumo de frutas, hortaliças e grãos integrais.

“O corpo tem preferências. Ou melhor, afinidade, como dizemos. Há pessoas que tomam suplementos vitamínicos para suprir uma deficiência de complexo B ou ferro, quando essas propriedades têm melhor aproveitamento através da comida”, aponta o nutricionista Sérgio Pimentel. No caso do ferro, por exemplo, a absorção do nutriente é potencializada quando somada ao consumo de alimentos que contenham a vitamina C, presente em legumes como tomate, brócolis, couve-folha e rúcula, e no abacaxi, goiaba, manga e em frutas cítricas.



 O publicitário Guga Valença, 30 anos, recorreu à suplementação manipulada após consultar o nutricionista em busca de melhor rendimento nos treinos de crossfit, mas houve, também, uma readequação alimentar. “A preocupação é descascar mais e abrir menos. Ou seja, menos produtos industrializados e mais alimentos in natura”, relata. “Comecei a treinar em alta intensidade e me sentia fraco porque não tinha a nutrição adequada. Melhorei a alimentação e isso refletiu na minha performance. O suplemento entra só onde o natural não alcança.”

Nos suplementos, buscou o reforço da creatina, substância que melhora o rendimento e performance, e consome 10g do composto diariamente. A substância pode ser encontrada na carne vermelha, ovos e outras proteínas, mas as quantidades são ínfimas. Para cada 100g de carne vermelha são obtidos apenas 450mg de creatina, enquanto com o consumo de ovos há uma absorção de 100mg da substância a cada 1kg do alimento consumido. Ou seja, seriam necessários 100kg de ovos, por dia, para o atleta adquirir a quantidade suplementada.



Foi depois de consultar uma nutróloga e realizar exames para verificar as deficiências no metabolismo que o administrador Igor Gonçalves, 32, iniciou, também, o consumo de suplementos. Preocupado com a longevidade, ele recorreu ao auxílio profissional para realizar a mudança de hábitos. A prescrição tinha como objetivo suprir a carência de vitaminas e realizar correções hormonais. “Depois dessa fase, procurei uma nutricionista. Empiricamente, todo mundo sabe o que é bom comer, o que faz bem, mas estamos acostumados a hábitos ruins”, conta.

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Em dois meses, Igor melhorou o condicionamento físico e perdeu 22kg. Além da dieta e dos reforços, pratica exercícios diariamente e regulou o sono, indispensáveis para o bom funcionamento do corpo. “Hoje tenho mais critério com o que vou consumir. Sei que preciso de energia para treinar. Então, qual o carboidrato que vou incluir na dieta: um pão ou uma batata doce?”, destaca o administrador, que não dispensa o acompanhamento profissional e repete os exames com regularidade.

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