O esforço e dedicação de quem carrega os bonecos gigantes de Olinda

Bonequeiros carregam o equipamento, que pesa cerca de 15 quilos, durante todo trajeto de desfile nas ladeiras olindenses

Kleber da Silva carrega bonecos em Olinda há 25 anosKleber da Silva carrega bonecos em Olinda há 25 anos - Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil

Todos os anos, no carnaval, Kleber da Silva, de 32 anos, deixa de equilibrar caixas e vai equilibrar o boneco que abre o Encontro dos Bonecos Gigantes de Olinda (PE), realizado nesta terça-feira (28). Durante o festejo, ele não se apresenta como estoquista, seu trabalho regular. Nas ladeiras carnavalescas da cidade histórica ele se veste com seu melhor uniforme e vira o “bonequeiro”, o homem por baixo do gigante.
Sem esses profissionais, o boneco fica sem vida, uma estátua sorridente como uma lembrança de outros carnavais. Ao colocar o gigante na cabeça, o personagem toma o espaço, ganha a altura de 3 a 4 metros, rodando seus braços livres e dançando com a multidão. O trabalho, segundo Kleber, exige talento e dedicação. “Dançar com o boneco tem que ter muito equilíbrio e força de vontade. Porque botar na cabeça não é para todos, não. Tem que ser bom. Precisa de segurança e gostar mesmo, de coração”, ensina.
O olindense, morador no bairro de Guadalupe, começou a lida de bonequeiro ainda criança. Há 25 anos assumiu a função com esses personagens. Posteriormente, foi trabalhar com Sílvio Botelho, artista plástico que organiza o encontro e construiu muitos dos ícones dos bonecos gigantes, como o Menino da Tarde. Ele faz dupla com o leiturista José Nelson de Assis dos Santos, de 28 anos.
"Ambos levam o boneco homenageado do encontro, a cada ano. Nesta edição é o Palhaço Chocolate. No desfile do último domingo, o leiturista apoiou o colega como guia, por causa do campo de visão limitado. “Quando estou do lado de fora, fico pegando água, dando resistência, guiando, abanando por causa do calor”, segundo Nelson.
E haja resistência. Em duas a três horas de trajeto, os 15 quilos do início do trajeto se transformam em 30/50 quilos, segundo a dupla. Apesar disso, os bonequeiros consideram uma honra realizar a proeza. “Não tem como explicar o que eu sinto”, diz Kleber. O trabalho é sério, mas não precisa ser chato. É o que ensina o estoquista bonequeiro abre alas do Encontro dos Bonecos Gigantes de Olinda: “Eu levo na diversão”, ri, antes de sair dançando ladeira abaixo.

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